Snapshot

Carta Mensal – jun/2022

imagennhdt.png Perspectiva Macro

Os dados econômicos nos EUA, em especial do mercado de trabalho, mostram que o trabalho do Fed ainda está no começo e devem confirmar uma inflação ainda elevada e persistente, fazendo com que o Fed sinalize uma elevação de juros mais acentuada. O cenário geopolítico continua como fonte de incerteza para os mercados enquanto o conflito Russia-Ucrânia permanece ativo com novas sanções da União Europeia ao petróleo e gás Russo, podendo gerar novos choques nos preços das commodities. A China continuou sua política de tolerância zero no controle da pandemia implementando restrições severas em grandes metrópoles como Shanghai e Beijing, gerando preocupações em relação ao crescimento global e efeitos potenciais quando a reabertura acontecer, uma vez que as cadeias produtivas globais ainda não se normalizaram.

No Brasil, os números de atividade se mostram mais resilientes que o esperado, impulsionados principalmente pelo setor de serviços e mercado de trabalho, gerando revisões para cima do PIB de 2022. Alguns indicadores com perfil mais antecedente como comprometimento de renda, endividamento das famílias e venda de novos veículos, mostram alguma desaceleração, porém ainda em estágio bastante inicial. As contas fiscais e externas tem apresentado resultados correntes positivos frente ao crescimento maior e preços de commodities elevados. Por outro lado, a inflação continua bastante pressionada, tanto em termos de nível quanto qualitativos, o que deve levar o Copom a estender a alta de juros na próxima reunião. No front político, a expectativa continua de um cenário eleitoral polarizado e disputado, enquanto o governo continua buscando implementar medidas econômicas como a PLP 18 que deve ser aprovada pelo Senado e tem efeito significado no IPCA de 2022.

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ccc.png Ações

Maio foi um mês positivo, porém volátil para o mercado de ações brasileiro, com o Ibovespa apresentando ganho de 3,2%. No começo do mês, o Federal Reserve aumentou a taxa de juros dos Estados Unidos em 0,5%, o maior aumento desde 2000. O presidente do Fed, Jerome Powell, tem dito que o aperto monetário irá continuar até que se tenha evidências de que a inflação está sob controle. Isso gerou maior receio de recessão nos EUA, o que contribuiu para um dólar americano mais fraco ao redor do mundo. O índice DXY, que mede a taxa de câmbio média entre o dólar americano e diferentes moedas de economias relevantes, diminuiu 1,6% durante o mês de maio. O Brasil também foi afetado por esse movimento e, durante o mês, o real se apreciou cerca de 4% vs. o dólar. No mesmo período, o S&P 500 recuou 0,5%, enquanto o MSCI World e MSCI Europe tiveram ganhos de 0,6% e 0,4%, respectivamente. Também no começo do mês, o Banco Central Brasileiro aumentou a taxa Selic em 100 bps para 12,75%, tendo em vista a piora no cenário internacional e a possibilidade de um processo inflacionário mais duradouro. O juros de 10 anos do Brasil aumentou 35 bps em relação ao final de abril, fechando em ~12.7%.

Continuamos vendo a bolsa brasileira como atrativa, dada a expectativa de crescimento e valuation de setores específicos. Nossos portfólios seguem com exposição a commodities selecionadas, energia e setores bond proxy.

ddd.png Renda Fixa e Multimercados

Nas estratégias de renda fixa mantivemos as posições aplicadas em vencimentos curtos e intermediários de juros nominais e aumentamos marginalmente em vencimentos intermediários de juros reais, combinados com posições compradas em inclinação na curva de juros nominais. Nas estratégias de moedas, encerramos estrutura de opções que se beneficiava com a queda do dólar e montamos uma posição similar na direção oposta. Nas estratégias de renda variável, mantivemos apenas uma posição pequena estrutural comprada em bolsa, aguardando níveis mais atrativos ou um cenário menos desafiador antes de voltar a aumentar esta posição.

eee.png Crédito Privado

No mês de maio, os spreads de papeis corporativos de baixíssimo risco (AAA) mantiveram trajetória de queda enquanto os papéis AA e A mantiveram-se estáveis e cresceram respectivamente em 15bps. O spread médio de papeis AAA caiu 3bps para 1,37%, AA caiu 1bp para 1,74% e A subiu 15 bps para 2,08%. Os spreads de títulos bancários mantiveram-se estáveis com exceção dos papeis em % do DI que tiveram fechamento importante em torno de 20bps. O movimento no mercado manteve a tendência de aversão ao risco e demanda maior por papeis AAA em função da incerteza sobre nível de juros e queda na atividade da economia que tendem a impactar empresas alavancadas e cíclicas. O IDA-DI teve retorno de 119% CDI. No geral a performance dos nossos produtos foi bastante positiva no mês e impactada positivamente pelo fechamento dos spreads corporativos em especial no setor de logística, Saneamento e Educação. Além disso o fechamento dos spreads dos títulos em % do DI também beneficiaram os fundos. A maior exposição setorial continua sendo em bancos variando entre 20% e 30% do PL de cada fundo. A posição de caixa dos fundos fechou em média ao redor de 40% para os fundos de baixo risco e 20% do PL para os fundos de médio risco.

Spread dos títulos por Rating

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Spreads estão ajustados pela duration de 2,5 anos de forma a garantir comparabilidade com os valores históricos.

A classe crédito continua atraindo fluxo tanto pelo carrego que oferece (Selic média esse ano deve superar a marca de 12%aa) quanto do ponto de vista de risco em relação a outras classes de ativos que tem maior volatilidade e são mais expostas à turbulência internacional. A captação dos fundos de crédito em maio foi de R$ 2,3bi e acumula no ano captação de R$ 53bi. O volume de captação líquida no ano é semelhante ao volume de emissão o que justifica a relativa estabilidade dos spreads. A tendência é que o volume de emissões de títulos de crédito mantenha-se elevado até agosto e depois desacelere, à medida que se aproximam as eleições. A incerteza sobre o nível terminal da Selic e sobre o cenário macro tem reduzido o apetite dos investidores por títulos mais longos e de maior risco. Essa dinâmica tem amortecido ao longo dos meses o fechamento dos spreads, a despeito do volume elevado de captação.

O banco central na última reunião do Copom sinalizou que deixará a porta aberta para novos aumentos de juros. Dessa forma a mediana das expectativas sobre o nível dos juros terminal subiu de 13% para 13,25%, nível bastante alto e que deve impactar crescimento e capacidade de geração de caixa das empresas.

Dado o cenário de juros mais elevados, e potencial menor crescimento, mantemos nossa visão que não há espaço para compressão de spread para papeis AA e A, principalmente de duration mais longa. Entendemos nesse caso que existe mais chance de abertura de spread do que fechamento nesse perfil de Rating / Duration. Uma prova disso é que o diferencial de prêmio entre papéis AAA vs AA e A continuou aumentando no mês de abril. Acreditamos que um bom nível de entrada seria respectivamente um diferencial de 80bps para AA e 180bps para A.

2.1 – Diferencial de Spread entre A e AA sobre AAA

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Finalmente, na nossa estratégia de previdência, onde investimos entre 10% a 20% do fundo num fundo global de crédito, mantivemos exposição no limite mínimo de 10%. No mês, reduzimos a posição short em treasuries porém com exposição ainda superior a posição long no fundo offshore. Ainda acreditamos, entretanto, que a tendência da curva americana é de abertura, embora acreditemos que ao longo do ciclo de aumento de juros a curva deve mudar a inclinação para negativa. Finalmente não mudamos nossa posição de hedge cambial através de put cambial. Vamos manter essa estratégia até entendermos mais claramente como se comportará o Fed em termos de velocidade de aumento de juros e nível terminal num cenário de inflação prolongada e elevada.

Para conferir a performance dos fundos da Schroders no último mês, selecione a classe de ativos abaixo:

Renda Fixa

Crédito

Multimercado

Investimento no Exterior

Renda Variável