Carta Mensal - Jan/22

aaa.png Perspectiva Macro

A aprovação do orçamento para 2022 ajudou a reduzir os ruídos nos mercados no curto prazo, que devem voltar a aumentar gradualmente a medida que o foco se volta para as eleições gerais no final do ano. Além disso, tivemos durante o mês algumas surpresas positivas tanto na inflação (com IPCA-15 abaixo do consenso) quanto no fiscal (com possibilidade de superávit primário depois de muitos anos).

bbb.png Pandemia

Em Dezembro, observamos uma aceleração significativa dos casos de Covid-19 no mundo, mas sem que o número de óbitos subisse na mesma proporção. As informações mais recentes indicam que a variante Ômicron possa ser mais transmissível porém, menos letal. Mesmo assim, será importante observar seus potenciais efeitos nas cadeias produtivas globais e sistemas de saúde.

BR001.png

ccc.png Ações

Durante dezembro, a parte longa da curva soberana brasileira se comprimiu devido às primeiras notícias positivas sobre a inflação, além de o Congresso aprovar o orçamento para 2022, que incluiu um adicional de R$113 bilhões em despesas após a aprovação da PEC dos precatórios. Longe de ser o cenário ideal, no entanto, um número final que ajudou o mercado a precificar o tema. Durante o mês, mantivemos o posicionamento com menor exposição ao crescimento cíclico doméstico, mantendo o posicionamento em temas com crescimento estrutural, financeiro e de commodities selecionadas. Semelhante ao mês passado, seguimos esperando que a inflação atinja seu pico nos próximos meses, o que geralmente é um fator positivo para o mercado de ações. 

O Brasil segue negociando com o maior desconto em P/L (12-meses à frente) para Mercados Emergentes desde 2016, entretanto, entendemos que parte importante do desconto é derivado de níveis historicamente altos de preços de commodities que, sob uma visão normalizada, resulta em lucros futuros substancialmente menores para as empresas de commodities. Nos últimos meses, reduzimos a duration dos fluxos de caixa de nossa carteira e vemos oportunidades atraentes em setores de valor como bancos, empresas de petróleo e de eletricidade, que estão negociando com múltiplos mais atrativos (veja gráfico e tabela abaixo). Temos acompanhado de perto o desempenho das ações de consumo discricionárias, rocurando encontrar o momento ideal para aumentar a exposição a estas empresas.

BR002.png

 

table.png

 

ddd.png Renda Fixa

O cenário prospectivo para este ano continua desafiador, com expectativas de desaceleração brusca no crescimento, manutenção de juros reais altos a fim de trazer a inflação de volta para a meta, e incertezas em relação à política econômica do próximo governo. Enquanto o cenário externo vem mostrando sinais de acomodação em relação ao risco da variante Ômicron, antecipando impactos menores ao crescimento e inflação em relação às variantes anteriores.
Aproveitamos a queda recente das taxas para reduzir as posições aplicadas em vencimentos curtos e intermediários de juros nominais, entendendo que tanto a melhora da inflação quanto a mudança de postura do Banco Central podem demorar ainda algum tempo, mas com viés de aumentar novamente em níveis mais atrativos, assim como mantivemos as posições aplicadas em vencimentos intermediários de juros reais. Nos mandatos de multimercados, aumentamos de forma tática a exposição em bolsa com o intuito de capturar uma eventual melhora por conta da dissipação dos riscos de curto prazo. Na parcela em crédito, após um longo período de fechamento gradual, mas consistente, dos spreads, estamos vendo uma consolidação, com pausa/abertura dos spreads em alguns segmentos, o que demandará maior cautela e seletividade daqui em diante.

eee.png Crédito Privado

No mês de dezembro, os spreads mantiveram o comportamento de abertura verificado em novembro e numa magnitude maior. A elevação dos spreads foi na média de 20bps, em função do excesso de ofertas no mercado primário, com taxas entre 10 a 30 bps acima da média da Anbima para cada nível de rating; menor nível de captação nos fundos de crédito; viés mais conservador com cenário macroeconômico, principalmente afetando a demanda por papéis de duration maior; e expectativa de redução dos spreads em percentual do DI à medida que o Banco Central deva elevar a Selic em torno de 250 bps nas próximas 2 reuniões do Copom. Para fins de referência, o IDA DI (índice que cobre todas emissões que a Anbima atribui preço), teve uma performance um pouco acima de 100% do CDI no mês de dezembro, acumulando alta de CDI+3,1% em 12 meses. Acreditamos que quanto maior o nível da Selic daqui para frente, mais desafiador será para os fundos ter uma performance acima dos patamares de CDI+1%.

Acreditamos que os fundos de crédito, de forma geral, vão continuar tendo um fluxo positivo em função da alta da Selic, porém menor do que o verificado em 2021, cujo volume foi de mais de R$ 200bi[1]. Importante destacar que o volume de captação verificado esse ano foi,  em parte, pela volta de recursos que tinham saído desses fundos em 2020. As projeções de elevação da taxa Selic para 11%a.a. ou mais  nos próximos meses deve manter o fluxo de recursos para fundos de crédito positivo, entretanto. Acreditamos que para os melhores ratings e para uma duration entre 3 e 5 anos, o patamar médio de spreads deve-se manter entre CDI+1,80% e CDI+2,20% , sem muito espaço para fechamento além da banda inferior (confira o gráfico abaixo com a relação entre spreads por níveis de ratings). Essa estabilização dos spreads está relacionada à concorrência dos fundos de crédito com CDBs bancários, que pagam pelo menos 100% do DI com liquidez diária. Do lado das emissões, o ano de 2021 teve recorde de aproximadamente R$300 bilhões em emissões[2]. Sabemos que uma parte importante desse volume foi antecipação de tomada de recursos por parte das empresas em função de 2022 ser ano eleitoral. Não esperamos um volume de emissão próximo do verificado em 2021.

Para fins de referência, em 2021, até o dia 29/12, o IDA DI teve performance nominal de 7,5%, o Ibovespa -11,8%, IFMM (Índice de Fundos multimercado) 2,3% e o IMA B+ -6,8%, mantendo a classe crédito mais atrativa do ponto de vista de expectativa de retorno nominal e com menos volatilidade do que as demais.

[1] Fonte: Quantum Finance, dez/2021
[2] Fonte: ANBIMA, dez/2021

 

Spreads por níveis de ratings

BR003.png

 

Disclaimer

Este material foi preparado pela Schroder Investment Management Brasil Ltda (“Schroder”)  e não deve ser entendido como uma análise de quaisquer valores mobiliários, proposta de compra ou venda, oferta ou recomendação de quaisquer ativos financeiros ou de investimento. Este material tem propósito exclusivamente informativo e não considera os objetivos de investimento, as condições financeiras, ou as necessidades particulares e específicas de quaisquer investidores. . As opiniões expressas nesse material são da Schroder e podem mudar a qualquer momento. As opiniões são baseadas na data de sua apresentação e não consideram qualquer fato que possa ter surgido após esta data, não sendo obrigação da Schroder atualizar este material para refletir ocorridos após sua apresentação. Este material é para distribuição exclusiva à investidores profissionais e institucionais e não deve ser utilizado nem servir de apoio por outras pessoas. Leia o formulário de informações complementares, a lâmina de informações essenciais, se houver, e o regulamento antes de investir. Rentabilidade obtida no passado não representa garantia de resultados futuros. O investimento em Fundo não é garantido pelo Gestor, Administrador ou por qualquer mecanismo de seguro ou, ainda, pelo Fundo Garantidor de Crédito.