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Aviões, trens e automóveis – como o setor de transportes da Europa está reduzindo suas emissões?


As emissões de gases de efeito estufa da UE tiveram queda de 3,8% em 2019, de acordo com a Agência Europeia do Meio Ambiente, uma redução de 24% em relação aos níveis observados em 1990.

No entanto, a UE definiu uma meta de redução de 55% até 2030 (em comparação com os níveis de 1990), com o objetivo de atingir o valor líquido zero até 2050. Há ainda um longo caminho a percorrer.

Os avanços feitos por alguns setores são animadores. Por exemplo, as emissões de gases de efeito estufa geradas pelo abastecimento de energia estão caindo em ritmo acelerado. No entanto, as emissões do setor de transportes ainda estão aumentando, como mostra o gráfico a seguir.

Entrar nos trilhos para um futuro sustentável

“O transporte ferroviário tem a pegada de carbono mais baixa em relação a todos os principais meios de transporte: as viagens de trem geram apenas um oitavo da pegada de carbono das viagens aéreas, e um terço das rodoviárias. O ano de 2021 foi declarado o "Ano europeu do transporte ferroviário", iniciativa destinada a promover o setor e contribuir para os objetivos climáticos da UE.

O transporte ferroviário pode já ser uma escolha de transporte muito sustentável, mas ainda há espaço para melhorias. A tecnologia ferroviária está se tornando muito mais limpa e eficiente. Além disso, considerando o foco na sustentabilidade, há uma produção crescente de políticas governamentais que visam incentivar a migração do transporte de passageiros e cargas das rodovias para as ferrovias. Um caso em questão é a proibição de voos domésticos pela França nos casos em que uma viagem alternativa pode ser feita de trem em até duas horas e meia.

Isso significa que há uma oportunidade para empresas que oferecem soluções sustentáveis. Ainda há muito espaço para a eletrificação, com apenas 54% da rede ferroviária da Europa eletrificada (de acordo com dados do Statista referentes a 2018).

E o crescimento previsto nos volumes aponta para oportunidades de inovação também. Um exemplo é a Alstom, que desenvolve trens movidos a hidrogênio que emitem apenas água como produto da exaustão. Eles já estão sendo usados na Alemanha e em outros países. O Coradia iLint, da Alstom, o primeiro trem movido a hidrogênio do mundo, tem capacidade para percorrer quase mil quilômetros com um único tanque.

Vislumbramos oportunidades para os investidores diante do crescimento da demanda pelo transporte ferroviário, encomenda de novos trens e modernização das frotas existentes. No entanto, do ponto de vista das emissões, os setores da aviação e transporte marítimo, que são mais complicados, precisam de uma solução.

Quais são as implicações disso para os investidores?

Como podemos ver, diferentes setores de transporte estão em estágios muito diferentes de sua transição para um futuro de baixas emissões.

Para os transportes rodoviário e ferroviário, a tecnologia necessária já existe. A questão é a aceitação e, para os investidores, o apoio às empresas vencedoras e mais bem colocadas para tirar proveito da demanda crescente.

Para a aviação e a navegação, as tecnologias necessárias para a descarbonização ainda são relativamente incipientes. O caso do VLSFO destaca a necessidade de empresas e órgãos reguladores agirem com cautela e assegurar que a solução de um tipo de problema de emissões simplesmente não crie outro.

Em nossa opinião, essa situação cria uma enorme oportunidade para os investidores que conseguem identificar empresas inovadoras capazes de desenvolver tecnologias e produtos que possam concretizar a transição.