Análise macro
Atualização de previsão
Resumo:
- Revimos em alta o crescimento global pela primeira vez em perto de dois anos. Melhor atividade a curto prazo, aliada a uma perspetiva mais favorável nos EUA, Reino Unido e mercados emergentes (ME) estão na origem desta revisão.
- Revimos as nossas perspetivas de crescimento para a área do euro ligeiramente em baixa para 2017, mas em alta para 2018. Esperamos que o Banco Central Europeu (BCE) resista aos apelos para interromper os estímulos e mantenha a sua posição acomodatícia.
- No Reino Unido, o Banco de Inglaterra (BoE) deverá manter-se em espera perante o melhor crescimento, mas o governo perdeu uma excelente oportunidade para incentivar o investimento público e o crescimento da produtividade a longo prazo.
- As revisões em baixa de três dos BRIC foram compensadas pela revisão em alta do crescimento chinês. Em termos mais gerais, o crescimento nos mercados emergentes deverá, também, beneficiar de um maior estímulo nos EUA, presumindo que evitamos uma guerra comercial.
Atualização da previsão global: crescimento e riscos aumentam com Trump
Pela primeira vez em quase dois anos, revimos em alta a nossa previsão para o crescimento global. Esperamos agora que este se situe nos 2,6% em 2016 (anteriormente 2,3%), uma vez que o desempenho superior ao esperado no terceiro trimestre deverá prolongar-se para o quarto trimestre. Em 2017, esperamos um crescimento da economia global de 2,8% (anteriormente, 2,6%) liderado por uma visão mais otimista dos mercados emergentes, do Reino Unido e dos EUA (onde os benefícios de uma política orçamental mais flexível começam a fazer-se sentir no final do ano). O crescimento global deverá acelerar em 2018, para 3%, com a expansão orçamental nos EUA a funcionar em pleno, ajudando a aumentar o crescimento em toda a economia mundial.
A inflação deverá subir em 2017 para 2,4%, de 2% em 2016, impulsionada pelos efeitos do preço do petróleo nas economias avançadas. Em 2018, esperamos que a inflação global estabilize nos 2,3%, apesar da maior inflação nos EUA. Aqui, acreditamos que a economia não tenha a capacidade para cumprir as promessas eleitorais do novo presidente. Em particular, os esforços para criar 25 milhões de empregos deverão dar origem a inflação numa economia onde há apenas oito milhões desempregados registados.
Impacto político
Um crescimento mais forte provoca uma subida nas taxas de juros. Nos EUA, continuamos a prever que a taxa dos fundos Fed suba para 0,75% em dezembro de 2016 e para 1,25% até ao final de 2017. Em 2018, as taxas de juro deverão chegar ao fim do ano nos 2,25%. Nas restantes regiões, porém, as taxas de juro deverão manter-se inalteradas, com exceção da China, onde deverão cair mais em 2017. O Banco do Japão deverá conservar as taxas inalteradas, mas manter os estímulos quantitativos. Abordamos as perspetivas para o Reino Unido e Europa na próxima secção.
Cenários
Procedemos a uma série de alterações nos cenários, mas os riscos continuam a apontar para a evolução desfavorável do crescimento, com uma ligeira inclinação para a deflação em vez de resultados inflacionários. O nosso cenário de maior risco é a "guerra comercial de Trump". Trouxemos de volta o "estrondo russo" (estagflação enquanto o presidente Putin invade o resto da Ucrânia e os preços do petróleo e a volatilidade no mercado financeiro aumentam). Também alterámos três cenários. "Recessão nos EUA" passou a "Subida nas rendibilidades das obrigações" (as rendibilidades das obrigações sobem acentuadamente face aos receios de uma expansão orçamental, resultando em deflação). "Reflação global" passa a "Reflação orçamental nos EUA" e "Brexit abala UE" passa a "Le Pen divide a Europa". A líder da Frente Nacional, Marine Le Pen, deverá perder as eleições presidenciais em França, mas não podemos eliminar outra surpresa. Caso Le Pen seja eleita, poderemos ver a França abandonar a UE e uma queda na procura e atividade da zona euro com um contágio deflacionário ao resto do mundo.
Atualização nas perspetivas para a Europa: maior inflação prejudica crescimento
A nossa previsão para o crescimento na área do euro em 2016 foi revista ligeiramente em alta de 1,5% para 1,6%. As previsões para 2017, foram revistas em baixa para 1,2%, uma vez que a inflação deverá subir temporariamente, de uma média anual de 0,2% em 2016 para 1,3% (anteriormente 1%) em 2017. Antecipamos uma subida do crescimento para perto de 1,8% em 2018, ajudada por uma política orçamental mais flexível e por um crescimento mais forte nos EUA, o que deverá impulsionar ar as exportações líquidas.
O BCE terá de defender a sua política
Esperamos que o BCE se mantenha firme face à crescente pressão para recuar nos seus programas de estímulos, à medida que a inflação sobe nos próximos meses. Prevemos que a taxa de depósito seja ainda mais reduzida para -0,5% e que as autoridades prolonguem os estímulos quantitativos por mais seis meses, com as compras a serem reduzidas no quarto trimestre de 2017 à taxa de 10 mil milhões de euros por mês. Prolongar ainda mais o programa será difícil, mas se acontecer, o BCE poderá ter de rever as suas regras para a compra de obrigações. Uma simples alteração nos limites à emissão de títulos ajudaria ou uma medida para a compra de ações (através de fundos negociados em bolsa) também poderia ajudar, ainda que este último pudesse ser controverso.
Perspetivas para o Reino Unido: contabilizar os custos do Brexit
Revimos em alta as perspetivas de crescimento no Reino Unido para 2016, de 1,7% para 2,1%, e para 2017, de 0,6% para 1,4%. A inflação anual deverá subir de 0,8% em 2016 para 2,9% em 2017, antes de recuar para 1,9% em 2018. No que refere às taxas de juro e aos estímulos quantitativos, o BoE deverá manter-se em espera no futuro previsível.
Perturbação orçamental: mais uma derrapagem do que uma reposição da política
Embora tenha reconhecido o impacto económico negativo do Brexit, o novo ministro das Finanças britânico decidiu manter a política de restrição orçamental, o que poderá revelar-se um erro grave nos próximos anos. Ele tem uma rara oportunidade de oferecer um investimento muito necessário em infraestruturas públicas com taxas de juro próximas de zero, contudo, esta abordagem cautelosa significa que os gastos adicionais anunciados não representam praticamente nenhuma alteração nos números. O governo perdeu uma excelente oportunidade para utilizar o seu balanço para incentivar o investimento e a produtividade a longo prazo.
Atualização da previsão para os mercados emergentes: Estímulo quimérico faz avançar os mercados emergentes
Desta vez apresentamos ligeiras revisões em baixa do crescimento nos BRIC, exceto na China, onde abandonamos a esperança de uma reforma significativa durante pelo menos mais um ano. Também precisamos de avaliar o impacto de uma presidência Trump para as economias BRIC, mas, na maior parte, esperamos que seja muito limitado. Por agora, o pressuposto de que veremos mais um estímulo às infraestruturas e menos uma guerra comercial por parte de Trump ajuda a fazer subir o crescimento nos mercados emergentes, tal como a nossa revisão em alta do crescimento na China, apesar das ligeiras descidas noutras regiões.
China: navegar ao sabor do vento - preocupar-se com o mastro mais tarde
Parece que, no próximo ano, o crescimento será posto acima de todos os outros receios. A nossa previsão reflete o pressuposto de que, com o seu poder consolidado na reunião do Congresso Nacional no próximo ano, o presidente Xi irá focar a sua atenção na construção de uma economia sustentável, reduzindo a meta de crescimento de forma a dar alguma margem para uma política monetária mais restritiva. Isto levará a um ligeiro abrandamento em 2018. Por conseguinte, aumentamos às nossas previsões para o PIB para 6,6% em 2016 e para 6,5% em 2017.
Brasil: uma recuperação muito gradual
A vulnerabilidade do Brasil recai na dependência das suas empresas dos empréstimos em dólares. Face ao aumento nas rendibilidades dos títulos do Tesouro, muitas encontrarão uma dívida mais cara quando procurarem refinanciarse. Revemos em baixa para 0,6% a perspetiva para o crescimento em 2017 de modo a refletir esta situação. Todavia, uma ameaça maior poderá advir das ondas de escândalo que varrem o novo governo, aumentando a dificuldade da aprovação das tão necessárias reformas orçamentais.
Índia: uma reforma inesperada e controversa
Num movimento destinado a combater a corrupção, o primeiro-ministro anunciou que as notas de 500 e 1000 rupias deixam de contar com curso legal. Haverá grandes perturbações para os consumidores e um impacto macroeconómico da contração na oferta de numerário. Isto levou a uma revisão em baixa das nossas perspetivas de crescimento para 7,3% em 2016 e 7,7% em 2017. Diminuímos também as previsões para a inflação - para 5,0% em 2016 e 4,7% em 2017 - devido ao impacto na procura e à recente descida da inflação dos preços alimentares. Conjugados, isto daria ao banco central âmbito para mais cortes nas taxas de juro.
Rússia: a recuperação irá sobreviver à consolidação orçamental
A economia russa está em contração, mas a um ritmo mais lento. Procedemos a pequenas revisões em baixa para o crescimento deste ano e do próximo, mas continuamos a ver uma recuperação do crescimento para o nível mais baixo da tendência em 2017/18. A inflação está a abrandar, ajudada pela força do rublo durante grande parte do ano, e pela fraca procura. Revimos em baixa as nossas perspetivas para a inflação em 2016 e 2017, para 7,2% e 6,1%, respetivamente.
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