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Estudo de Investidores Globais

Os investidores esperam retirar 10,3% por ano das poupanças para a reforma


David Brett

David Brett

Investment Writer

Os investidores acreditam que poderão levantar, em média, 10,3% ao ano das respetivas poupanças para a reforma sem ficarem descapitalizados, segundo um novo estudo global.

O número é significativamente mais alto do que a orientação estabelecida desde há muito sobre quanto podem retirar por ano como forma de rendimento. Nos EUA, por exemplo, a regra dos 4% tem sido a base do planeamento financeiro nas últimas décadas, embora alguns peritos considerem agora que uma taxa de levantamento de 4% é demasiado alta. 

A conclusão fez parte do Estudo de Investidores Globais 2019 da Schroders, que recolheu a opinião de mais de 25.000 investidores em 32 locais em todo o mundo.

Sangita Chawla, Diretora de Poupanças para a Reforma na Schroders, afirmou: “Ver um valor médio tão elevado para os levantamentos com esta conjuntura de mercado é alarmante. 

“Os nossos cálculos [ver abaixo] mostram que uma taxa de levantamento de 10,3% pode esgotar as poupanças de um reformado numa década.

“Então, porque é que os investidores estão tão otimistas? Pode ser que muitas pessoas estejam a  subestimar o tempo de vida que lhes resta. Considere-se que a esperança média de vida global para uma pessoa com 65 anos aumentou de 80 para 82 na última década, segundo os dados das Nações Unidas.
“Embora esta seja diferente para os homens e para as mulheres, e vá provavelmente divergir ainda mais no futuro, são os países menos desenvolvidos que estão a envelhecer mais depressa.

“É também possível que as pessoas estejam mais otimistas quanto aos montantes que planeiam levantar por terem outras fontes de rendimento ou de riqueza.

“À parte destes fatores, pode dizer-se que o cálculo do tempo de duração das poupanças não é fácil, particularmente porque é necessário contabilizar a inflação, as comissões e a variabilidade dos retornos sobre o investimento. Recomendamos sempre que se procure a ajuda profissional de um consultor financeiro.” 

Quanto tempo irão durar as minhas poupanças na reforma?

A “regra dos 4%” surgiu no início da década de 1990. Em poupanças para a reforma no valor de 100.000 USD, um investidor pode levantar 4.000 USD por ano, com a taxa de levantamento a subir com a inflação todos os anos. O levantamento de uma quantia mais alta corre o risco de esgotar o dinheiro no prazo de 30 anos, segundo esta regra.

A tabela abaixo, baseada na análise da Schroders, mostra os efeitos de uma taxa de levantamento de 10,3% numa carteira.

Considere investir numa carteira que vise gerar retornos reais (após a inflação) de 4% ao ano. Após a dedução de comissões de 1% ao ano, um reformado esgotaria as poupanças em dez anos.
Para um reformado com uma esperança média de vida de 20 anos e que deseje efetuar um levantamento de 10% por ano, os mesmos 100.000 USD teriam de ser investidos em ativos com um retorno de 10% ao ano (após comissões e inflação). 

Não só é altamente improvável que o reformado quisesse assumir este nível de risco, como também é difícil encontrar carteiras que possam oferecer este nível durante um período de vinte anos.
Para cobrir um tempo de reforma mais realista de cerca de 20 anos, seria necessário um retorno de 10%, após custos e inflação.

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Distribuição geográfica

O Estudo de Investidores Globais 2019 da Schroders também destacou as disparidades geográficas em relação à proporção média que os investidores sentem que podem retirar das suas poupanças de reforma por ano sem ficarem descapitalizados. Os investidores na Índia registaram a maior média (15,0%); os investidores japoneses registaram a menor (7,3%).

Regionalmente, os investidores asiáticos (10,8%) tiveram a média mais alta. A Europa (9,8%) foi a mais baixa, enquanto que nas Américas foi de 10,4%.

Em baixo encontra-se uma tabela com a lista completa de locais e os montantes que pensam conseguir levantar na reforma.

Sangita Chawla da Schroders afirmou: “Deve-se ter em conta que as taxas de juro são mais elevadas nalguns países, como a Índia, e que os investidores podem esperar melhores retornos.

“Mas as taxas de levantamento parecem muito elevadas em todo o mundo, especialmente quando se considera que a menor taxa de levantamento se situou ligeiramente acima de 7%. 

“Isso deve realmente fazer soar o alarme, especialmente quando as taxas de juro reais são negativas nos mercados desenvolvidos. Embora as taxas reais tenham sido mais altas em algumas economias emergentes, essas taxas também têm vindo a cair.”

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Em abril de 2019, a Schroders contratou a Research Plus Ltd. para levar a cabo um inquérito independente online a 25.743 pessoas com investimentos em 32 locais de todo o mundo, incluindo Alemanha, Austrália, Brasil, Canadá, China, Espanha, Estados Unidos, França, Índia, Itália, Japão, Países Baixos e Reino Unido. Este estudo define "investidores" como aqueles que investirão pelo menos 10.000 euros (ou o equivalente) nos próximos 12 meses e que fizeram alterações nos seus investimentos nos últimos 10 anos.