Estudo de Investidores Globais

Os investidores procuram um “rendimento mínimo” de 10,1%

O Estudo de Investidores Globais da Schroders revela as expectativas mais recentes dos investidores e apresenta um retrato dos investimentos que estes detêm para alcançarem os seus objetivos

03/12/2018

Os investidores esperam conseguir um rendimento mínimo médio de 10,1% dos seus investimentos, concluiu um novo e importante estudo global.

O número, que representa o rendimento de dividendos e pagamentos de juros sobre investimentos, assinala um aumento dos 9,1% registados há dois anos. Também é substancialmente mais elevado do que o rendimento disponível em carteiras típicas.

O Estudo de Investidores Globais (GIS) 2018 da Schroders cobriu um leque de questões, revelando os ativos detidos pelos investidores e as esperanças e expectativas do que eles poderão alcançar. Neste, foram solicitadas as opiniões de mais de 22.000 investidores em 30 países espalhados pelo mundo.

A nível regional, o rendimento médio que os investidores gostariam de receber foi superior nas Américas com 11,5%, à frente da Ásia com 10,9% e de 9,0% na Europa. 

O rendimento gerado pelo investimento pode ajudar a financiar estilos de vida, seja durante a vida ativa ou durante a reforma. Expectativas irrealistas podem estragar esses planos.

Os níveis de rendimento desejado parecem otimistas. O atual nível de rendimento disponível em ações do mundo, de acordo com o MSCI World Index, é de 2,4%.

Rupert Rucker, Diretor de Soluções de Rendimento na Schroders, afirmou: “O fosso entre o rendimento que as pessoas gostariam de receber e aquilo que elas realmente poderiam alcançar hoje é brutal e, francamente, é preocupante. 

“As pessoas têm grandes esperanças para as suas economias. Elas planeiam o futuro e esperam que os seus investimentos cresçam para tornar esses planos realidade. Mas se as suas estimativas de rendimento estiverem muito afastadas do marco indicador, esses planos podem ruir rapidamente.”

Carteiras típicas: como os investidores pretendem alcançar um alto rendimento

No estudo, os investidores revelaram o tipo de ativos que detêm. Constatou-se que a carteira média tinha investido 33,2% nas bolsas de valores (ações), 18,4% em obrigações, 12,0% em imobiliário e 11,1% em investimentos alternativos, tais como matérias-primas. Além disso, o investidor típico tem mais de um quarto da sua carteira (25,3%) detido em liquidez.

Uma grande percentagem em liquidez poderia reduzir os rendimentos que uma carteira pode gerar porque as taxas de juro são muito baixas, mas é menos arriscado do que outros investimentos, como é o caso das ações. 

Para investigar mais, examinámos as expectativas nos EUA em comparação com o rendimento que uma carteira típica pode gerar. 

O americano médio investe 35% da sua carteira em ações, 20% em obrigações, 20% em liquidez, 12% em fundos imobiliários e 12% em investimentos alternativos.

A análise feita pelo departamento de Capacidades de Rendimento da Schroders constatou que esta carteira teria hoje uma taxa de rentabilidade de 2,9%, com a decomposição apresentada no segundo gráfico abaixo. Isto sugere uma enorme disparidade entre a expectativa de rendimento e as taxas de rentabilidade atualmente disponíveis. 

Tipo de investimento Rentabilidade dos rendimentos Proporção Contribuição do rendimento
Bolsas de valores (ações) 2,4% 35,0% 0,84%
Obrigações 2,6% 20,4% 0,53%
Liquidez 2,1% 20,0% 0,42%
Fundos imobiliários 4,2% 12,2% 0,51%
Alternativos 4,9% 12,4% 0,61%
TOTAL     2,91%

Os números apresentados são para fins ilustrativos e o rendimento mostrado não é garantido. Os investimentos podem descer e subir e poderá obter menos do que aquilo que investiu. Dados corretos em 2018.

Lembramos que o desempenho passado não é garantia de desempenho futuro e poderá não se repetir.

Fontes: Thomson Reuters. As ações baseiam-se no MSCI All-Country World Index; as Obrigações são representadas pelo Bloomberg Barclays Global Aggregate Index; a Liquidez é representada pela rentabilidade dos Títulos do Tesouro dos EUA a três meses; o Imobiliário é representado pelo FTSE NAREIT US; os Alternativos baseiam-se numa carteira típica de rendimento de alternativos, incluindo infraestruturas e obrigações de seguros.

Rucker da Schroders afirmou: “As taxas de juro podem estar a subir em muitos países, mais notoriamente nos EUA, mas um retorno às taxas de 5% e superiores nos mercados desenvolvidos parece improvável num futuro próximo. 

“Nesse cenário, os investidores, em particular, irão ter dificuldades em alcançar o rendimento de que precisam, apesar de que isso irá depender das circunstâncias pessoais. Como regra geral, para se alcançar um maior rendimento, poderá ter de assumir mais riscos. Os investidores talvez devessem considerar o risco adicional que estão dispostos a assumir para alcançarem o que querem. “

O valor dos investimentos e o rendimento proveniente destes pode aumentar ou diminuir e os investidores podem não conseguir recuperar a quantia originalmente investida.

Os pontos de vista sobre o rendimento variaram entre as diferentes faixas etárias. A geração X (idades entre 37 a 50) correspondeu com a média global, 10,2%. A geração "Millennials" foi a mais ambiciosa, dizendo que gostaria de um rendimento de 11,3%. Em contraste, a Geração do Baby Boom gostaria de 8,7% e aqueles com idade superior a 71 anos só pretendiam 7,2%.

Como é que as expectativas de rendimento variam por país

A geografia e os fatores económicos locais podem influenciar o nível de rendimento que os investidores esperam receber. 

As expectativas de rendimento são normalmente mais altas em países onde o custo de vida (inflação) é maior, como o Brasil (4,2% de inflação) e a África do Sul (5,1% de inflação).

A inflação mais alta tende a resultar em taxas de juro mais elevadas e, com isso, retornos mais elevados de poupanças e investimentos, embora nem sempre seja esse o caso.

Contudo, mesmo em países com inflação elevada, as expectativas dos investidores excedem muito o rendimento que podem esperar receber das suas bolsas de valores nacionais.

As expectativas de rendimentos do país, taxas de inflação e rentabilidades da bolsa estão elencadas abaixo. 

Rendimentos médios desejados dos respetivos investimentos por países

 Pais Income expectations  Inflation rate  Stock market yield 
 Índia  13,5% 3,7% 1,2% 
 Indonésia  13,3% 3,2%  2,6% 
 Chile  13,0% 2,6%  2,7% 
Tailândia   12,9% 1,6%  2,9% 
Brasil   12,7% 4,2% 3,8% 
EAU   12,6% 3,8%  5,2% 
África do Sul   12,4% 5,1%  2,8% 
Rússia   12,2%  3,1%  5,5% 
EUA   12,0% 2,9%  1,8% 
Polónia   10,9% 2,2%  1,9% 
China   10,6% 0,5%  2,1% 
Coreia do Sul   10,6% 1,4%  2,1% 
Taiwan   10,5% 1,5%  3,9% 
Portugal   10,0% 1,3%  4,4% 
Hong Kong   9,9% 2,4%  2,9% 
Espanha   9,7% 2,2%  4,3% 
Australia   9,6% 2,1%  4,2% 
Singapura   9,2% 0,6%  4,2% 
Canada   9,0% 3,0%  3,0% 
Dinamarca   8,9% 1,0%  2,2% 
França   8,9% 2,3%  3,1% 
Suécia   8,9% 2,1%  3,7% 
 Reino Unido  8,6% 2,5%  4,3% 
Países Baixos   8,6% 2,3%  2,7% 
Itália   8,5% 1,7%  4,2% 
Alemanha   8,2% 2,0%  2,9% 
Japão   8,1% 1,0%  2,2% 
Suíça   7,9% 1,2%  3,2% 
Austria   7,8% 2,1% 3,3% 
Bélgica   7,6% 2,2%  3,9% 

Fonte: Estudo de Investidores Globais da Schroders; Rentabilidade do rendimento de dividendos em bolsa – 31 de Agosto de 2018

O Estudo de Investidores Globais também perguntou qual era a principal razão para investirem. A resposta mais comum foi que era para garantir uma vida financeiramente confortável na reforma.

Rucker afirmou: “É difícil saber quanto dinheiro é preciso apurar para garantir um padrão de vida decente na reforma. É igualmente difícil descobrir qual é o nível de rendimento que pode esperar num determinado momento no futuro. O que este estudo mostra é que as expectativas de hoje estão longe de corresponder à realidade. Recomendamos vivamente a que as pessoas passem mais tempo a pesquisar aquilo que realisticamente podem esperar alcançar com a sua carteira. A resposta a esta questão irá afetar o montante que precisam de pôr de parte e onde é que esse dinheiro deverá ser investido.

Os investidores devem procurar ajuda junto de um consultor financeiro quando pretendem tomar decisões de investimento e planear o seu futuro.

Mais conclusões do Estudo de Investidores Globais:

Cuidados de saúde, sustentabilidade e tecnologias disruptivas lideram a lista das supertendências preferidas dos investidores.

Informação importante:

A Schroders encarregou a Research Plus Ltd de realizar, entre 20 de março e 23 de abril de 2018, um estudo independente online a 22 338 investidores em 30 países espalhados pelo mundo, incluindo Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Itália, Japão, Países Baixos, Espanha, Reino Unido e EUA. Este estudo define "investidores" como aqueles que investirão pelo menos 10.000 euros (ou o equivalente) nos próximos 12 meses e que fizeram alterações nos seus investimentos nos últimos dez anos. Estas pessoas representam as opiniões de investidores em cada país incluído no estudo.