Mercados

Por que é que 2019 poderá ser um ano melhor para os investidores

Após a deceção de 2018, o Diretor Executivo Peter Harrison reúne os fatores que, segundo a opinião dos nossos gestores de fundos, podem tornar o próximo ano mais promissor.

19/12/2018

Peter Harrison

Peter Harrison

Group Chief Executive

2018 foi um ano dececionante para a maioria dos investidores. Quase todos os mercados, tanto de ações como de obrigações, desvalorizaram este ano, sob a pressão da subida das taxas de juro, de desenvolvimentos políticos como o Brexit e do litígio comercial entre os EUA e a China. Numa análise retrospetiva, os mercados estavam cotados na perfeição no início de 2017 e vulneráveis a más notícias – e têm havido muitas.

É fácil ser influenciado pelo pessimismo que afeta atualmente os mercados. Aceitamos que possam vir a existir mais más notícias em 2019 - e eu escolheria o litígio comercial entre os EUA e a China sem indícios de resolução e com forte probabilidade de prejudicar o crescimento económico em todo o mundo. Mas há sinais de que os retornos dos mercados podem ser mais positivos em 2019.

Um maior realismo chegou com as quedas nos mercados bolsistas, particularmente desde setembro. Os mercados estão a incorporar pelo menos alguns dos riscos que identificámos.

Os economistas da Schroders antecipam uma desaceleração gradual do crescimento nos EUA em 2019 e 2020. O acento tónico está na palavra gradual: não vemos uma recessão como sendo provável em 2019 (embora não seja inimaginável em 2020), uma vez que muitas das forças que levaram a um ano de 2018 forte nos EUA ainda estão em jogo. O abrandamento significa, contudo, que o fim do ciclo de subida das taxas de juro está à vista. Se as nossas previsões de que as taxas de juro não sobem acima dos 3% estiverem corretas, será um pico moderado comparado com os ciclos económicos ocorridos no passado.

Todos os nossos gestores de fundos de ações apontam para uma inflação ligeiramente superior no próximo ano como sendo uma ajuda às empresas com fortes posições no mercado e com capacidade de aumentar preços. Eles também perspetivam que muitas empresas tenham avaliações mais aliciantes. Mesmo na Europa e no Reino Unido, onde o crescimento tem sido dececionante, o rendimento resultante apenas dos dividendos parece mais atrativo comparado com a liquidez ou as obrigações, do que há algum tempo. As ações envolvem, obviamente, maior risco, mas também o potencial de retornos mais elevados.

Um crescimento mais fraco nos EUA deverá fazer também com que o dólar norte-americano perca terreno face a outras divisas. Esta é uma boa notícia para os mercados de ações e obrigações emergentes, pois um dólar forte desvia o dinheiro desses mercados. Os mercados emergentes, incluindo a China, foram particularmente afetados em 2018 e não nos surpreenderíamos se recuperassem em 2019. A nossa equipa de multiativos descreve-os como tendo avaliações "provocadoramente baixas".

Os nossos gestores de obrigações já não estão tão confortáveis quanto às previsões, com os bancos centrais, que têm sido grandes compradores de títulos de dívida pública e outras obrigações, a abandonarem progressivamente essa prática. As obrigações de empresas tornaram-se, no entanto, mais baratas nos últimos meses e, se estivermos corretos quanto à uma desaceleração ligeira nos EUA no próximo ano, serão sustentadas por fortes variáveis fundamentais.

2018 foi o ano em que a sustentabilidade a longo prazo dos modelos de negócio começou a influenciar a forma como o mercado avalia as empresas. Temos assistido a críticas a algumas práticas de grandes empresas tecnológicas que levam a quedas nas cotações das respetivas ações e ao aumento dos prejuízos físicos causados pelas alterações climáticas. O fosso entre gerações tem gerado convulsões políticas em vários países europeus. A questão da sustentabilidade é cada vez mais crucial em todas as nossas decisões de investimento.

Recentemente, publicámos uma previsão a 10 anos para os mercados intitulada Verdades incontornáveis no investimento para a próxima década. Esta publicação realçou as modestas perspetivas de retorno dos mercados públicos, devido às taxas de crescimento económico mais baixas do que no passado e ao nível baixo das rendibilidades das obrigações. 2019 irá encaixar nesse padrão, provavelmente com retornos positivos, mas os investidores têm de trabalhar arduamente - tanto através da afetação de ativos como da seleção de títulos – para aumentarem os baixos retornos gerais do mercado.

Continuo a acreditar que os ativos privados, como private equity e o imobiliário, como parte de uma carteira diversificada, vão ajudar os investidores a alcançar os seus objetivos.

Nesta perspetiva, 2019 deverá ser um ano melhor que 2018.

 

Encontra-se disponível em baixo uma variedade de artigos na nossa série Previsões para 2019:

Previsões para 2019: Economia global

Previsões para 2019: Obrigações globais

Previsões para 2019: Ações globais

Previsões para 2019: Ações Europeias

Previsões para 2019: Sustentabilidade

Previsões para 2019: Multi-ativos

Previsões para 2019: Ações dos EUA