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Mercados

Previsões para 2019: Ações dos EUA

Acreditamos que o crescimento dos lucros nos EUA vai abrandar em 2019, mas somos da opinião que esse contexto empresarial mais desafiante pode criar oportunidades para a seleção de títulos.

13/12/2018

Frank Thormann

Frank Thormann

Portfolio Manager, Multi Regional Equities

Robert Kaynor, CFA

Robert Kaynor, CFA

Co-Portfolio Manager och Research Director of US Small och Mid Cap Equities

  • A economia dos EUA superou outros mercados desenvolvidos em 2018 e acreditamos que permaneça comparativamente estável em 2019.
  • Pensamos que o crescimento dos lucros pode abrandar à medida que as taxas de juro sobem e a inflação aumenta.
  • A combinação de desaceleração dos lucros e forte pressão sobre os custos deverá proporcionar um clima fértil para os investidores ativos no próximo ano.

Ações de empresas de pequena e média capitalização norte-americanas

Robert Kaynor, Cogestor de Carteiras de Ações de Empresas de Pequena e Média Capitalização norte-americanas

Em 2018, a expansão dos EUA permaneceu robusta, embora o crescimento de algumas potências económicas mundiais como o Reino Unido, a Alemanha e a França tenha abrandado. Em particular, o mercado de trabalho dos EUA manteve-se forte. Foram criados em média cerca de 200 mil postos de trabalho por mês, colocando o desemprego na taxa mais baixa (3,7%) em quase meio século.

A força do mercado de trabalho é a principal causa de um aumento incipiente da inflação, com as pressões salariais a começarem a intensificar-se, em particular no setor dos serviços. Há três anos que ouvimos falar desta inflação salarial, ainda que só agora seja visível nos dados oficiais. Achamos que a inflação poderá ser controlada se a Reserva Federal (Fed) mantiver o "dot plot" ( ritmo previsto de normalização das taxas de juro pelo banco central norte-americano).

Por conseguinte, acreditamos que a economia deverá apresentar um crescimento estável no próximo ano, mas o regresso das taxas de juro a níveis mais “normais” e o aumento da inflação irão provavelmente pesar sobre o crescimento dos lucros. Já começamos a ver empresas com níveis consideráveis de dívida a serem afetadas pelo aumento das taxas de juro. Enquanto isso, as empresas incapazes de aumentar os preços (ou seja, sem “poder de fixação de preços”) estão com grandes dificuldades em compensar os crescentes encargos salariais. Além disso, o forte crescimento dos lucros em 2018 foi parcialmente imputável a reformas fiscais e outros estímulos orçamentais, os quais desaparecerão em 2019.

Consequentemente, a nossa opinião geral é que é provável que as estimativas iniciais para o crescimento dos lucros em 2019 sejam demasiado otimistas. Todavia, desde que os investidores estejam cientes da sua exposição a estes fatores, acreditamos que o ambiente possa ser favorável a investidores ativos no próximo ano.

Nesta fase da recuperação económica, com a Reserva Federal a aumentar as taxas para antecipar pressões inflacionárias, há um debate aceso sobre o momento em que irá surgir a próxima recessão. Não conseguimos dizer quando é que a próxima recessão vai surgir, mas estamos confiantes em que os estrategas que apontam para 2020 possam estar enganados.

Deixando de lado a especulação sobre a recessão, o mercado deve continuar a digerir a realidade da desaceleração do crescimento dos lucros das empresas, das pressões inflacionárias contínuas e de um cenário de política orçamental menos favorável.

Ao longo da turbulência do mercado no início do ano, as ações de crescimento e de grande capitalização continuaram a ser vistas como refúgios relativamente seguros. Embora as ações de “microcapitalização” tenham tido um desempenho significativamente positivo enquanto os riscos em torno das disputas comerciais atingiam o auge no segundo trimestre, os operadores do mercado passaram a maior parte do ano a preferir empresas de crescimento que têm melhores resultados quando a economia está forte.

Isto vai manter-se? Parece provável, tendo em conta as pressões sobre os lucros que antecipamos.

Os níveis de dívida das empresas norte-americanas é na generalidade elevado, particularmente no que diz respeito às de pequena e média capitalização. Uma forma de medir o nível de endividamento de uma empresa é o rácio dívida/EBITDA (que compara a dívida com os resultados brutos da empresa). Para as empresas de maiores dimensões que compõem o índice S&P 500, o rácio é 2,3 vezes os lucros. Para as empresas de pequena e média capitalização no índice Russel 2000, é 4 vezes superior.

Os lucros podem subir e descer juntamente com o ciclo económico, mas a dívida não. O que isto significa é que quando os lucros escasseiam, os empréstimos das empresas mantêm-se iguais enquanto as taxas de juro continuam a subir. Os encargos da dívida tornam-se mais pesados. A solução é as empresas liquidarem dívida.

Nos EUA, uma parcela significativa da dívida total das empresas de pequena capitalização (mais de 40%) tem uma “taxa variável” (ou seja, a taxa de juro a pagar muda ou “flutua” ao longo do tempo), em contraste com as empresas de grande capitalização (17%). Habitualmente, as empresas com maiores percentagens de dívida de taxa variável têm mais problemas quando as taxas de juro sobem e os lucros descem.

Fizemos um esforço concertado para garantir que as empresas nas nossas carteiras têm níveis de dívida de taxa variável inferiores aos das suas homólogas.

Em termos de avaliações, as empresas dos setores de bens de consumo discricionário e industrial parecem-nos ser atrativas relativamente ao índice.  No geral, continuaremos a procurar investir em empresas que conciliem os interesses dos acionistas com o crescimento da empresa.

Ações de empresas de grande capitalização norte-americanas

Frank Thormann, Gestor de Carteiras, Ações de Empresas de Grande Capitalização norte-americanas

Sem dúvida, um dos principais fatores que contribuiu para a força e duração do mercado em alta das ações norte-americanas tem sido o aumento da rentabilidade das empresas para níveis historicamente sem precedentes. Em particular, a posição única do país como líder global em tecnologia e inovação tem sido uma verdadeira fonte de vitalidade. Silicon Valley é frequentemente descrito como sendo o “berço da inovação” global e acolhe algumas das empresas mais inovadoras e lucrativas do mundo.

Além disso, os EUA têm sido particularmente bem-sucedidos na reparação do setor bancário, o que se traduziu numa rentabilidade dos bancos norte-americanos muito superior à dos seus pares europeus. Ainda por cima, os EUA são palco de um ressurgimento da produção de petróleo impulsionada por uma revolução nas tecnologias de fraturação hidráulica. O respetivo contexto económico e político relativamente estável atraiu grandes entradas de capital, resultando numa valorização do dólar. A cereja no topo do bolo foi a significativa redução de impostos anunciada em 2017.

Para 2019, vislumbramos uma mudança na liderança de mercado. 2018 ficou marcado por um rápido crescimento da receita e dos lucros em todos os setores e esta maré alta foi benéfica para a grande maioria. 2019 será, provavelmente, um ano de desaceleração bastante acentuada no crescimento dos lucros.

As expectativas de consenso apontam para um crescimento dos EPS (lucros por ação) de 9% para o S&P 500 em 2019, após um crescimento superior a 25% em 2018. Achamos que até estas expectativas podem ser otimistas. À luz desta desaceleração, acreditamos que é possível obter retornos atrativos mediante uma seleção orientada das ações e ao dar ênfase a um forte poder de fixação de preços, ao isolamento relativo das crescentes pressões sobre os custos e a catalisadores específicos das empresas que lhes permitam sustentar um crescimento acima da média.