Perspective

Previsões para 2019: Sustentabilidade


  • Com o número crescente de acontecimentos graves relacionados com o clima nos próximos anos, determinados setores estão em risco de sofrer danos nos ativos físicos e de verem aumentar os custos.
  • É provável que os governos procurem empresas que os ajudem a enfrentar o desequilíbrio entre gerações
  • As empresas com dívida excessiva são vulneráveis a um ambiente de taxas de juro crescentes

Os especialistas em sustentabilidade têm por hábito evitar ter de fazer correções a partes das perspetivas económicas; afinal de contas, é tudo a longo prazo... Mas a nossa tese na Schroders é que as alterações ambientais e sociais estão a acelerar, gerando obstáculos cada vez mais difíceis para as empresas ultrapassarem. 

2018 tem proporcionado ampla evidência disto mesmo, com o populismo a continuar a aumentar juntamente com as temperaturas globais. Cada vez mais, as empresas que não operam de forma sustentável não têm onde se esconder: as empresas tecnológicas que, no passado, pareciam quase intocáveis, têm assistido ao aumento da tributação, regulação e uma série de momentos desconfortáveis perante o Congresso.

Face a esta conjuntura, a análise e previsões ambientais, sociais e de governança (ESG) nunca foram tão importantes para os investidores como agora. Esta é uma das “verdades incontornáveis no investimento para a próxima década referidas pela Schroders.

Ambiental: o risco físico das alterações climáticas

Certamente que as alterações climáticas são o principal problema a longo prazo, pensará a maior parte das pessoas. Grande parte da análise nesta área é sobre riscos longínquos e debates sobre as medidas que se devem tomar até 2030: uma vida inteira para os mercados.

No entanto, um aspeto das alterações climáticas é o aqui e agora: à medida que as temperaturas sobem, prevê-se igualmente que o mesmo aconteça com as perdas físicas provocadas por acontecimentos meteorológicos extremos. Isto pode ser especialmente pertinente em 2019 tendo em conta que os especialistas preveem o desenvolvimento de um padrão climático tipo El Niño, causando temperaturas mais quentes e aumentando a possibilidade de condições climáticas adversas em todo o mundo. 

Os investidores tendem a não compreender muito bem o quão vulneráveis são os ativos físicos e a infraestrutura de uma empresa às graves perturbações e aos danos diretamente resultantes de padrões climáticos drásticos. Reconhecendo isso, criámos um quadro de riscos físicos que aplicámos a mais de 10 mil empresas a nível global. Este calcula o montante de seguros que as empresas teriam que pagar para proteger os seus ativos físicos contra riscos associados ao clima.

Identificámos os setores do petróleo e gás, serviços públicos e recursos básicos como os setores mais expostos ao impacto físico das alterações climáticas. O custo potencial de segurar os ativos físicos equivale a mais de 3% dos respetivos valores de mercado. Os setores menos em risco são os setores de tecnologia, bens pessoais e artigos para o lar e os cuidados de saúde.

Há cada vez maior evidência de que as alterações climáticas estão a agravar os sistemas climáticos naturais e que, no futuro, poderemos assistir com mais frequência à materialização de condições climatéricas rigorosas. Isto não se aplica apenas a 2019 e ao seu possível fenómeno El Niño, mas também para os próximos anos. Este é um aspeto que poderá ter implicações assinaláveis no investimento.

Social: empresas vão sofrer as consequências do desafio que representam os jovens

Muitos pensam que o “S” dos critérios ESG é a parte mais difícil do acrónimo a analisar. No entanto, é a área em que tivemos o maior sucesso: previmos o crescimento dos salários mínimos em 2014, a chegada dos impostos sobre o açúcar em 2015 e os impactos do crescente protecionismo nas cadeias de abastecimento globais em 2016. Como tal, achamos que o nosso histórico sobre previsões sociais é bastante convincente, o que eleva a fasquia.

Um dos enormes desafios iminentes a que assistimos é a desigualdade intergeracional. As populações do mundo desenvolvido estão a envelhecer e isso está a tornar-se dispendioso. Os custos associados, como os cuidados de saúde e as pensões, estão a subir quase exponencialmente. A inflação nos preços dos ativos e as baixas taxas criaram um “arrendamento geracional” (assim designado devido às dificuldades que muitos jovens enfrentam em tornarem-se proprietários de imóveis).

No entanto, dado que as gerações mais jovens têm, historicamente e em grande parte, vindo a abster-se de votar, os decisores políticos nem sempre têm abordado estas questões. Eleições recentes têm apontado para uma inversão dessa tendência e, em resultado disso, esperamos ver um aumento da pressão sobre os governos para agirem. 

Tendo em conta o estado atual das finanças de muitos governos, proporcionar soluções para os eleitores mais jovens irá ser um desafio. Será de esperar que as empresas tenham que arcar com uma parte maior do fardo, o que provavelmente significará um aumento das contribuições para a reforma, mais apoio ao alojamento para trabalhadores mais jovens e maiores exigências de formação. 

Continuamos a considerar que as empresas e os consumidores enfrentam aumentos de impostos em muitas frentes. Por exemplo, os impostos sobre o carbono continuam a subir, embora não ao ritmo que acreditamos que seja suficientemente eficaz para combater realmente as alterações climáticas. Não nos parece que o mundo vá estar preparado para impostos sobre a carne em 2019, mas tendo em conta os benefícios para a saúde e o ambiente, não o descartamos no médio prazo.

Governança: a dívida poderá regressar para nos assombrar

Fomos algo surpreendidos este ano quando analisámos os dados da dívida ao verificarmos que as cotações de empresas com níveis de endividamento relativamente elevados não tinham sido penalizadas. O atual ciclo económico e de crédito tem vindo a decorrer há já algum tempo. Isto significa que, do atual grupo de gestores e conselhos de administração, poucos são os que se lembram o quão limitativos podem ser os elevados níveis de endividamento quando a taxa de juro ou o contexto operacional se altera.

O estudo da Bernstein (24 de outubro de 2018) pinta um quadro otimista da situação devedora das empresas. Mostra que há cada vez menos empresas a debater-se para cumprir o serviço da sua dívida visto que as suas receitas de exploração cobrem confortavelmente os seus encargos com os juros. No entanto, nos próximos três anos assistiremos ao refinanciamento de 25-45% dessa dívida (quando os acordos de empréstimos existentes vencerem e precisarem ser renovados). Face a uma conjuntura de crescentes taxas de juro, isto pode constituir um problema. 

Sim, nunca se contraiu tanta dívida a longo prazo, mas para algumas empresas, as taxas não precisam de subir muito nem as operações de baixarem muito para que as coisas se tornem consideravelmente mais difíceis.

Conclusão: um crescente sentido de urgência

Embora muitas das questões que levantamos aqui sejam essencialmente de longo prazo, algumas delas representam uma ameaça mais imediata para as empresas do que a maioria dos investidores pensa.

Com alterações ambientais e sociais, rápidas e em larga escala, é provável que todas as empresas fiquem sob crescente pressão de uma diversidade de fontes, quer sejam ambientais, sociais ou relacionadas com a governança. Neste contexto, consideramos que a análise e previsões dos critérios ESG continuarão a ter uma importância crescente para os investidores de todo o mundo.

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Os pontos de vista e as opiniões descritos são da Jessica Ground, Responsável Global da Intendência – ESG, e podem não representar necessariamente pontos de vista expressos ou reflectidos noutras comunicações, estratégias ou fundos da Schroders.

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Publicado por Schroder Investment Management (Europe) S.A., 5, rue Höhenhof, L-1736 Senningerberg, Luxemburgo. Número de Registo B 37.799.

As previsões indicadas no documento são o resultado de modelação estatística, baseada numa série de pressupostos. As previsões estão sujeitas a um elevado nível de incerteza relativamente a fatores de mercado e económicos futuros que podem afetar o desempenho futuro real. As previsões são fornecidas para fins informativos à data de hoje. Os nossos pressupostos podem mudar materialmente com alterações nos pressupostos subjacentes que possam ocorrer, entre outras coisas, uma vez que as condições económicas e de mercado se alteram. Não assumimos qualquer obrigação de lhe fornecer atualizações ou alterações a estes dados, visto que os pressupostos, as condições económicas e de mercado, os modelos ou outros fatores se alteram.