Perspective

Seis razões para a automação estar em vias de avançar a grande ritmo


Há muito que a automação é uma caraterística da indústria transformadora, com as empresas a quererem melhorar a produtividade e fabricar produtos de alta qualidade de acordo com uma norma específica. Contudo, prevemos que o nível de automação sofra um aumento acentuado à medida que a inovação desencadeia uma nova revolução de fabrico inteligente.

A curto prazo, a pandemia da COVID-19 centrou as atenções na necessidade de automação, mas vemos igualmente algumas razões estruturais para o seu crescimento.

  1. Pandemia da COVID-19 e distanciamento social/disponibilidade de trabalhadores

Se as empresas precisavam de ser persuadidas sobre as vantagens da automação, a crise da COVID-19 consolidou o argumento. A atividade em vários setores foi interrompida enquanto a pandemia evoluía devido à aplicação de medidas de confinamento.

Mesmo com o reinício da atividade, as regras de distanciamento social podem limitar a capacidade de muitas fábricas. Níveis mais elevados de automação proporcionariam, portanto, uma vantagem óbvia em termos de produtividade e de menor probabilidade de interrupção da atividade no futuro.

  1. Crescimento do comércio eletrónico

O crescimento aparentemente imparável do comércio eletrónico é outra tendência impulsionada pela pandemia, com mais consumidores a passar para as compras online devido ao encerramento das lojas físicas. De qualquer modo, esta tendência já estava em alta.

Mesmo antes da COVID-19, era o setor de armazenagem automatizada que registava o crescimento mais rápido na adoção da automação nos últimos anos. Com a crescente penetração do comércio eletrónico devido à pandemia, acreditamos que essa tendência irá acelerar.

  1. Inovação crescente na robótica

Os avanços na robótica e na inteligência artificial (IA) criaram robôs que podem efetuar um leque muito maior de tarefas do que anteriormente. As melhores tecnologias incorporadas, tais como os sistemas de visão em 3D, significam que os robôs podem “ver” onde estão. Tal levou ao aparecimento de “cobots” (robôs colaborativos) que podem trabalhar de forma segura ao lado de funcionários humanos e com um leque mais avançado de capacidades, alargando-se principalmente a tarefas não repetitivas.

Uma gama mais ampla de recursos traz um conjunto mais amplo de aplicações. Antes, a automação estava fortemente associada ao setor automóvel, mas cada vez mais os robôs estão a ser utilizados na tecnologia e outras indústrias, como a de alimentação & bebidas. Os robôs podem agora sair dos bastidores e executar processos manuais mais flexíveis, como tarefas de montagem e inspeção.

A inovação nas comunicações desempenha igualmente um papel fundamental na adoção da automação. A latência é um grande problema para os instaladores de robôs; se o processo de entrada for demasiado demorado, a utilização do robô será necessariamente muito mais limitada. A tecnologia 5G e as novas redes de comunicações sem fios permitem resolver, pelo menos teoricamente, os problemas de latência além de adicionarem à equação IA com tecnologia da nuvem, com vista a impulsionar novos mercados para a robótica.

Além disso, à medida que as inovações se intensificam, as economias de escala significam que o custo de produção e compra desses robôs diminuirá. Em resultado, é provável que sejam cada vez mais utilizados numa gama mais ampla de setores, já que a economia os torna muito mais acessíveis.

  1. Enfoque renovado na resiliência da cadeia de fornecimento

Novamente, a importância de cadeias de fornecimento robustas e flexíveis é algo que a COVID-19 trouxe para a ribalta e isso após o turbulento ano de 2019, quando as tensões geopolíticas EUA/China levaram as empresas a repensar as suas cadeias de fornecimento.

Trazer as cadeias de fornecimento novamente para o nível local, regionalizar ainda mais as cadeias de fornecimento e utilizar a dupla fonte de fornecimentos (usando dois fornecedores) está agora a ser considerado pelas empresas. A perturbação causada pelos confinamentos em diversas regiões em momentos diferentes fez-nos concluir que as cadeias de fornecimento não são suficientemente resilientes.

Um estudo recente do Bank of America Merrill Lynch destacou que 83% ou mais dos setores que dependem de cadeias de fornecimento no estrangeiro consideram implementar ou implementaram um plano para mudar as cadeias de fornecimento - sendo a capacidade de automatizar fábricas mais próximas dos seus mercados nacionais um fator-chave.

  1. Demografia

Uma quinta consideração estrutural é a demografia. A população em idade ativa dos cinco principais países industriais a nível mundial está já a diminuir. China incluída. Nos Estados Unidos, a idade média dos trabalhadores da indústria tem agora mais de dois anos mais do que a média nacional e 25% dos trabalhadores da indústria têm mais de 55 anos. O resultado tem sido um dos maiores défices de competências já registados nas empresas da indústria transformadora, de acordo com um estudo recente do Richmond Fed.

Como resolvemos esse problema? A robótica e a automação são a solução óbvia.

  1. Enfoque crescente na eficiência energética e sustentabilidade

Foram apresentados recentemente pacotes de estímulo fiscal nos mercados desenvolvidos para ajudar a reverter as economias em dificuldades devido à pandemia. O enfoque esmagador tem sido na sustentabilidade e nas soluções para resolver a crise das alterações climáticas à medida que se incentiva novamente a procura.

Acreditamos que a automação desempenha um papel importante na melhoria da produtividade da indústria e, por conseguinte, da eficiência energética. Por exemplo, novas inovações estão a ajudar a reduzir a necessidade de supervisão humana nas linhas de produção, aumentando assim a produtividade e diminuindo a quantidade de resíduos na produção.

Podemos concluir então que são inúmeras as razões pelas quais as empresas adotariam uma maior automação das suas atividades. Esta visão é igualmente confirmada por um inquérito exclusivo realizado pela nossa Data Insights Unit. O inquérito demonstrou que todos os tipos de empresas esperavam orçamentos superiores para automação industrial nos próximos dois a três anos.

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E ao contrário de ser a indústria transformadora o principal impulsionador desse facto, o inquérito concluiu que as empresas de armazenagem e logística são mais suscetíveis de esperar um crescimento dos orçamentos e, logo, de terem mais potencial de crescimento no que se refere à automação.

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Como investidores, é muito interessante porque confirma que as empresas que produzem robôs não dependem apenas dos tradicionais clientes da indústria automóvel para crescer. A procura está a alargar-se a outras áreas da indústria transformadora, saindo da fábrica e entrando na cadeia de fornecimento e na rede de logística.

Para todas as indústrias, a automação pode resultar em maior produtividade, menores custos de mão de obra e maior eficiência energética. As inovações recentes mostram que os robôs estão mais ágeis do que nunca e têm utilizações mais generalizadas, o que significa que a procura pela automação está a acelerar e a tornar-se menos cíclica.

A automação é apenas uma área da temática de investimento relativa ao fabrico inteligente. Existe ainda um grande potencial de crescimento no hardware de fabrico avançado (como os lasers), nos prestadores de análise de dados e de software, nos fornecedores de materiais avançados e nos peritos do domínio, que se encontram excecionalmente bem posicionados em determinados mercados finais para captar o valor dessas inovações.