A economia mundial está a abrandar?
O crescimento global parece estar a perder o ímpeto nalgumas regiões, especialmente na Ásia e Europa. Examinamos os três fatores que, na nossa opinião, estão a contribuir para o abrandamento e se estes são suscetíveis de terem um efeito permanente ou temporário.
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A perder o ímpeto
Apesar de os indicadores de atividade a curto prazo permanecem estáveis, o crescimento tem sido menos sincronizado em 2018 do que foi em 2017 quando as principais regiões estavam todas a acelerar. Agora, a Ásia e a Europa parecem estar a abrandar, divergindo dos EUA que continuam a registar um forte crescimento.
Vemos três fatores principais a contribuírem para o que parece ser uma pausa de verão.
1. Arrefecimento da China
Determinados indicadores sugerem que a economia chinesa poderá estar a abrandar a um ritmo mais rápido do que os números mais recentes do PIB sugerem. Embora o PIB do 2º trimestre tenha sido apenas 0,1 ponto percentual mais fraco do que no 1º trimestre, dados mais recentes, tais como vendas a retalho mensais, o investimento e as exportações, todos eles indicam que podemos esperar um maior abrandamento da atividade 3º trimestre. Tendo em conta o papel que a China desempenha no crescimento asiático e global, isto terá implicações para o resto do mundo.
2. Enfraquecimento dos preços das matérias-primas
Uma queda nos preços dos metais industriais, que perderam cerca de 14% desde o final de junho, é sinal de uma produção industrial mais fraca. Visto que os preços refletem o nível de produção industrial, eles são um indicador razoavelmente fiável da atividade. A produção industrial é uma componente crucial do crescimento económico, por isso, uma menor produção vai afetar o crescimento global. Os atuais preços dos metais sugerem que a produção do G7 irá estagnar nos próximos meses, com consequências para o crescimento global.
3. Dólar mais forte
O crescimento do comércio (outro componente importante do crescimento global) depende muito da acessibilidade ao dólar. À medida que o dólar se torna mais caro, os países que transacionam operações em dólares serão afetados e, como resultado, o comércio poderá abrandar, com repercussões para o crescimento global. Além disso, muitos países financiam-se em dólares e um dólar mais forte significará que os empréstimos ficarão mais dispendiosos, o que afetará ainda mais o crescimento.
Temporário ou permanente?
Na nossa perspetiva, estes efeitos serão temporários e não permanentes. Na nossa opinião, aquilo a que estamos a assistir neste momento é mais uma pausa de verão do que algo mais sustentado. Alguma da fraqueza nos preços dos metais poderia estar relacionada com as tarifas impostas ao aço; há alguns indícios de que as empresas aumentaram as suas encomendas antes de as tarifas sobre o aço e alumínio entrarem em vigor em 1 de junho e estão agora a reduzi-las. Além disso, as encomendas subjacentes na economia mundial são ainda sólidas, o emprego é forte e a confiança elevada sugerindo que a procura subjacente permanece intacta.
As tensões comerciais poderiam colocar em causa o crescimento
O risco para esta perspetiva é de que as tensões comerciais façam vacilar a confiança empresarial e de que as empresas reduzam as suas despesas de capital. As elevadas despesas de capital desempenharam um papel importante na reviravolta da economia global, mas se as empresas se assustarem com os desenvolvimentos
políticos, são muito capazes de suspender as despesas devido à incerteza, com consequências para o crescimento global. A notícia de que os EUA e a UE chegaram a um acordo (mesmo que apenas verbal) é positiva, mas as tensões com a China permanecem elevadas. Na nossa opinião, o facto de o Presidente Trump ter estabelecido um pacote de 12 mil milhões de dólares para apoiar os agricultores afetados pelas tarifas recentemente introduzidas, sugere que o Presidente está a preparar-se para uma longa batalha com a China. Parece que a guerra comercial entre os EUA e a China ainda está a começar a aquecer.
Talking Economics tem por base o Schroders Economic and Strategy Viewpoint, produzido pela Schroders Economics Team: Keith Wade, Economista-Chefe, Azad Zangana, Economista e Estratega Sénior para a Europa, Craig Botham, Economista de Mercados Emergentes e Piya Sachdeva, Economista do Japão.
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