Dissipam-se os riscos políticos mas retornam os macroeconómicos
Os riscos políticos aliviaram ao mesmo tempo que os receios macroeconómicos mais tradicionais ganharam importância, desviando o risco para a deflação

Authors
A recuperação na atividade global permanece intacta, embora a inflação pareça ter atingido o pico no seguimento da estabilização dos custos da energia. Continuamos a prever um crescimento global de 2,9% para este ano, depois de 2,6% em 2016, mas reduzimos as nossas previsões relativamente à inflação para 2,4% de 2,7% de modo a refletir a diminuição do preço do petróleo e os resultados mais modestos dos principais indicadores. A divergência é um tema crescente no lado do crescimento; a revisão em alta da zona euro foi contrabalançada por uma revisão em baixa dos EUA e dos mercados emergentes. Observando 2018, o crescimento global deverá estabilizar nos 3% com as ligeiras revisões em baixa dos mercados desenvolvidos a serem compensadas por uma pequena revisão em alta do Japão.
A inflação ainda tem de se fazer sentir
A continuação do bom comportamento da inflação é crítico para dar forma às previsões para os mercados e para a política monetária. Ainda esperamos um ligeiro aumento na inflação subjacente em 2018, com uma nova queda do desemprego nos EUA, mas não o suficiente para desencadear uma restritividade agressiva da política monetária por parte do banco central. Antevemos uma subida da taxa dos Fed funds para 1,5% este ano (três subidas) e para 2% até ao final de 2018 (duas subidas). Neste período de tempo, assistimos a uma pausa na primeira metade do próximo ano, à medida que a Reserva Federal (Fed) começa a reduzir o balanço.
Noutras regiões, as taxas de juro deverão manter-se inalteradas. Não é esperada qualquer alteração nas taxas chinesas, mas estas poderão cair mais em 2018 à medida que a atividade abrandar. Esperamos que o BCE prossiga o estímulo quantitativo (QE) durante o período das previsões e que comece a inverter caminho em 2018. O Banco do Japão deverá manter as taxas inalteradas e o estímulo quantitativo e qualitativo à medida que tenta alcançar o objetivo de uma inflação acima de 2%.
Cenários: dissipação dos riscos políticos
Em comparação com a última atualização das nossas perspetivas em fevereiro, o equilíbrio de risco mudou para um rumo mais deflacionário com o regresso de receios quanto a um abrandamento brusco na China e uma estagnação no longo prazo1. Os riscos de estagflação diminuíram com o abandono do cenário de "crescente protecionismo". Os riscos políticos associados à administração Trump também aliviaram com a diminuição de peso do cenário de "reflação orçamental". Fazendo o balanço, os menores riscos políticos na Europa e nos EUA foram substituídos por alguns riscos macroeconómicos tradicionais na China, estagnação de longo prazo, inflação e abrandamento do estímulo quantitativo por parte da Fed.
Atualização das previsões europeias: de força em força
As perspetivas para a zona euro são brilhantes. Revimos em alta as perspetivas de crescimento de 1,5% em 2017 para 1,8%, elevando as nossas previsões acima do consenso (1,7%). A previsão da inflação para 2017 não foi alterada (1,6%). Em virtude disto, não alterámos a nossa previsão para a política do banco central. Esperamos que as autoridades voltem a reduzir as aquisições mensais em janeiro de 2018 (para 40 mil milhões de euros por mês) e no terceiro e quarto trimestres de 2018, terminando o ano perto dos 10 mil milhões de euros por mês. Isto preparará o terreno para um aumento das taxas de juro no início de 2019.
Atualização do risco político
Na nossa opinião, a vitória de Macron nas eleições presidenciais francesas foi positiva, de uma perspetiva macroeconómica e do risco. Noutras regiões, no entanto, os investidores reagiram negativamente às perspetivas de eleições antecipadas em Itália, mas isto é, provavelmente, devido ao risco de um governo liderado pelo Movimento Cinco Estrelas. Suspeitamos de que quando for marcada a data concreta das eleições, as ações e as obrigações italianas continuem a registar um desempenho inferior.
O Reino Unido está a perder fôlego
A economia britânica sofreu, finalmente, o abrandamento esperado pela maioria dos economistas. Em resultado disto, revimos em baixa as nossas previsões para 2017, de 1,8% para 1,7%. Esperamos assistir a uma melhoria no segundo semestre do ano, quando a inflação atingir o pico. As previsões para 2018 mantêm-se inalteradas. A nível da inflação, as nossas expetativas apontam para uma subida de 0,7% em 2016 para 2,8% em 2017, antes de recuar para 2,2% em 2018. O Banco de Inglaterra deverá manter a política inalterada, com os riscos a inclinarem-se para uma menor restritividade.
Atualização sobre as eleições: da coroação à contestação?
Parece existir agora uma verdadeira contestação ao n.º 10 de Downing Street, em vez de uma "coroação" de Theresa May. As sondagens mostram que May continua a ser favorita à vitória. May desfruta de um forte apoio entre os eleitores com mais de 50 anos, que é uma grande parcela da população e, que mais importante do que isso, é a que apresenta maiores probabilidades de ir votar. Os trabalhistas desfrutam de forte apoio entre os grupos mais jovens, mas a fraca afluência destes às urnas é um problema. Todavia, se os trabalhistas conseguirem manter o ímpeto atual e persuadir os jovens a votar, a vitória do Partido Trabalhista é, certamente, uma possibilidade.
Atualização das previsões para os mercados emergentes: desenvolvimentos divergentes
Revimos em baixa o crescimento para a maioria das economias BRIC, com exceção da China. Esperamos uma inflação mais baixa do que no trimestre passado graças a preços mais acessíveis das matérias-primas, menor crescimento e uma surpreendentemente baixa inflação no primeiro trimestre.
China: finalmente a desalavancar?
O crescimento do PIB no primeiro trimestre ultrapassou as expetativas e, globalmente, continuamos a assistir a uma mudança na direção certa em termos de contribuição para o crescimento, com o setor terciário a ser ainda o motor da economia. Os esforços para a contenção da alavancagem aumentaram este ano e existem alguns indícios de desalavancagem, mas o crédito continua a crescer acima do PIB. Há espaço para uma política orçamental mais aliviada para compensar a posição monetária mais restritiva, embora cada vez mais pareça que este fardo pertence ao governo central. Prevemos um crescimento do PIB de 6,6% em 2017 (sem alterações face à última previsão) e uma inflação de 2% (em comparação com 2,5%, anteriormente).
Brasil: Regresso aos tumultos
No seguimento dos relatos segundo os quais o presidente Temer também foi apanhado na saga da corrupção brasileira, uma eleição indireta (na qual o Congresso seleciona um novo presidente para cumprir o resto do mandato) parece o resultado mais provável. Isto será, contudo, negativo para o progresso das reformas, com os indícios de recuperação económica a que assistimos desde o afastamento da presidente Dilma a parecerem ameaçados. Por conseguinte, revimos em baixa as expetativas de crescimento (para 0,2% de 0,7%, em 2017), mas também aumentámos ligeiramente as nossas expetativas para a adoção de uma política menos restritiva.
Rússia: o petróleo vai pesar no crescimento
Apesar de ainda prevermos que o crescimento acelere face aos atuais níveis, achamos que o preço mais baixo do petróleo irá pesar sobre a atividade por comparação com a nossa última previsão. Como tal, antevemos um crescimento de 1,1% no PIB em 2017 (em comparação com os 1,6% anteriores). Antecipamos que as taxas de juros terminem o ano nos 8,25%, uma vez que o ciclo de fornecimento prévio se mantém. As nossas expetativas para as taxas de 2018 permanecem inalteradas, nos 8%. Na frente política, um otimismo cauteloso volta a surgir face às perspetivas de reformas, mas a experiência passada sugere que os investidores não devem ficar muito entusiasmados.
Índia: impacto incerto das alterações fiscais
Ao fim de vários anos, a Índia está à beira de implementar o Imposto sobre Bens e Serviços (GST). A medida deverá ser positiva para o crescimento a médio e longo prazo (mas perturbadora a curto prazo) e deverá fazer baixar e não aumentar a inflação (segundo o estudo do HSBC). Esperamos que as taxas se mantenham inalteradas, ainda que a continuação da melhoria da inflação possa gerar maiores pressões para o corte das taxas.
1 Uma situação económica na qual o crescimento económico abranda mas a inflação sobe
Informação Importante
Os pontos de vista e as opiniões descritos são da equipa de Economia da Schroder Investment Management e podem não representar necessariamente pontos de vista expressos ou reflectidos noutras comunicações, estratégias ou fundos da Schroders.
Este documento tem apenas fins informativos e não pretende servir de material promocional, qualquer que seja o sentido. O documento não pretende ser uma oferta ou solicitação para a compra ou venda de qualquer instrumento financeiro. O documento não se destina a fornecer, e não deverá ser considerado como um aconselhamento contabilístico, jurídico ou fiscal, ou como uma recomendação de investimento. A informação é fiável mas a Schroders não garante a sua plenitude e precisão. Nenhuma responsabilidade pode ser aceite em caso de erros, factos ou opiniões. Os pontos de vista e a informação constantes do documento não devem servir de base para o investimento individual e/ou decisões estratégicas.
O desempenho anterior não é um indicador confiável dos resultados futuros. O valor das ações e a renda podem cair ou crescer e os investidores podem não receber a quantidade originalmente investida.
Publicado por: Schroder Investment Management Limited registada na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) em Livre Prestação de Serviços e com Sucursal em Espanha registada na Comisión Nacional del Mercado de Valores (CNMV) de Empresas de Serviços de Investimento do Espaço Económico Europeu com sucursal em Espanha com o número 6. As previsões indicadas no documento são o resultado de modelação estatística, baseada numa série de pressupostos. As previsões estão sujeitas a um elevado nível de incerteza relativamente a fatores de mercado e económicos futuros que podem afetar o desempenho futuro real.
As previsões são fornecidas para fins informativos à data de hoje. Os nossos pressupostos podem mudar materialmente com alterações nos pressupostos subjacentes que possam ocorrer, entre outras coisas, uma vez que as condições económicas e de mercado se alteram. Não assumimos qualquer obrigação de lhe fornecer atualizações ou alterações a estes dados, visto que os pressupostos, as condições económicas e de mercado, os modelos ou outra alteração nas matérias se alteram.