O que é um ELTIF?
Os fundos europeus de investimento a longo prazo têm como objectivo estimular e sustentar o crescimento na Europa. Mas o que é um ELTIF e como é que funciona na prática?
Foi sempre difícil para os investidores individuais aceder aos mercados privados. Os investidores foram afastados pela iliquidez, estruturas complexas, limites de investimento mínimo elevados, e uma oferta reduzida de produtos. No entanto, a situação está a mudar.
Mesmo no meio da incerteza que se seguiu à guerra da Ucrânia e à pandemia da Covid-19, muitos investidores individuais sofisticados mostraram uma apetência acrescida pelos ativos privados. As razões para tal incluem a necessidade de maior diversificação, bem como o bom desempenho do setor face aos ativos públicos, especialmente após períodos de crise, e a menor volatilidade que muitas vezes acompanha os ativos privados.
Em 2021, to valor global dos ativos alternativos cresceu para mais de 10 biliões de USD e prevê-se que cresça para 18 biliões de USD até 2026.
Nos últimos anos, o acesso aos ativos privados tornou-se mais fácil para uma base de investidores maior do que apenas as grandes instituições, tais como os fundos de pensões, graças aos desenvolvimentos regulatórios e tecnológicos. Surgiram novos produtos, tais como os Fundos Europeus de Investimento a Longo Prazo (ELTIF), que examinaremos abaixo com maior detalhe.
O que é um ELTIF?
Um ELTIF é um tipo de investimento que nasceu com a regulamentação introduzida pala UE em 2015. O objetivo desta regulamentação era ajudar a melhorar o financiamento das empresas e projetos da UE que necessitam de capital a longo prazo, mas não possuem acesso aos mercados de capitais públicos. A regulamentação estabeleceu uma estrutura de fundos que permitiu aos investidores individuais sofisticados aceder a investimentos em ativos privados, tais como projetos de infraestruturas e pequenas e médias empresas não cotadas que são frequentemente detidas por famílias. O propósito era impulsionar a economia real na Europa.
Porquê agora?
Isto não significa que os investidores individuais não se sentissem atraídos pelos mercados privados antes, mas a falta de produtos acessíveis, limites mínimos elevados, complexidade, ausência de fluxos de caixa e iliquidez foram sempre um obstáculo à entrada. Daí que os investidores institucionais tenham tendido a ser os principais investidores nestes fundos.
Durante os últimos anos, os governos têm reconhecido a importância crescente do capital financiado pelos privados para o crescimento económico e para a criação de emprego. É por isso que introduziram regulamentação para possibilitar aos investidores individuais o acesso aos ativos privados.
Paralelamente a estas mudanças na regulamentação, os gestores de fundos lançaram fundos especificamente destinados aos investidores individuais e que têm um acesso mais fácil e uma gestão mais simples. Por exemplo, fundos com uma estrutura de apenas uma chamada de capital que têm montantes mínimos de subscrição mais baixos. Uma chamada de capital é quando um gestor de fundos solicita ao investidor que forneça capital para fazer investimentos e fazer face a obrigações do fundo, tais como encargos e comissões.
Tim Boole, responsável pela gestão de produtos afirmou: ‘Um dos principais atrativos de um ELTIF é que cria a possibilidade de investir em partes da economia às quais os investidores individuais não tinham antes acesso. Isso é especialmente relevante para as pequenas e médias empresas da UE que são uma importante fonte de crescimento e representam uma grande parte da economia.
‘A Europa tem alguns dos principais setores em expansão de empresas especializadas, tais como os bens de consumo de luxo, manufatura, serviços e tecnologia. São muito apelativos porque são negócios especializados, mas são muitas vezes demasiado pequenos para serem cotados em bolsa. Isso significa que não são muitas vezes capazes de concretizar o seu potencial de crescimento devido à falta de capital novo. O ELTIF pode ser a solução.’
Quais são as principais caraterísticas de um ELTIF?
Um ELTIF apresenta determinados riscos e complexidades associados à sua forma fechada e à natureza predominantemente ilíquida dos seus investimentos.
O maior destes é que a sua estrutura é ilíquida, o que significa que os investidores têm de planear manter o investimento até ao fim, geralmente à roda de 10 anos, embora o prazo varie entre os ELTIF. A estrutura fechada significa que o capital é investido no início e depois os investidores normalmente recebem distribuições, ou seja, o retorno do capital e o desempenho durante o resto do período.
Outra caraterística específica dos ELTIF é que os investimentos têm de estar relacionados com a economia da UE e serem diretamente efetuados numa empresa, por isso um investimento subjacente nos fundos não é permitido. Outras regras incluem o montante mínimo de investimento de €10.000
É importante sublinhar que as regulamentações dos ELTIF estão a ser revistas podendo algumas restrições ser alteradas no próximo ano.
Quais são os principais benefícios?
Há muitos fatores que fazem de um ELTIF uma opção valiosa para os investidores que procuram diversificar na área dos alternativos. Estes incluem:
- Diversificação do desempenho: abre a carteira de um investidor individual a classes de ativos às quais não teria de outro modo podido aceder.
- Investimento de longo prazo e menor volatilidade: A natureza de prazo mais longo dos ativos privados a que se acede através dos ELTIF significa que estes são bem adequados aos investidores com horizontes de investimento de longo prazo e mais focados no eventual resultado sem levarem em conta a volatilidade de um título.
- Estrutura e gestão mais simples: os ELTIF estão especificamente estruturados para os investidores individuais, sendo por isso muitas vezes estruturados de uma forma que torna a gestão menos pesada. Por exemplo, menos chamadas de capital e menos duração, e declarações fiscais concebidas para os indivíduos. Além disso, o montante mínimo de subscrição é menor do que para os fundos de ativos privados típicos.
Estes e outros fatores significam que o acesso aos ativos privados já não está fora do alcance da maioria dos investidores individuais.