Perspetivas 2025: Rendimentos, rendibilidades e resiliência - oportunidades nos mercados públicos e privados
O contexto económico continua favorável para retornos, mas a diversificação será essencial para construir portefólios resilientes.
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A notícia da vitória retumbante de Donald Trump nas eleições americanas deu origem a uma especulação interminável sobre as suas políticas. Neste ambiente, é sempre útil dar um passo atrás e concentrarmo-nos nas tendências gerais.
Já escrevemos anteriormente sobre a mudança do regime de investimento: uma mudança para um mundo multipolar, políticas fiscais mais proactivas e taxas de juro mais elevadas em comparação com a última década. O ambiente pós-crise financeira mundial, caracterizado por uma política orçamental restritiva, taxas de juro nulas e comércio mundial liberalizado, não estava a funcionar para o cidadão comum no Ocidente, o que levou ao apoio de políticas mais populistas.
Neste contexto, Trump é mais um sintoma do que uma causa do ambiente político. O seu segundo mandato representará uma intensificação das tendências que já estavam em curso: uma política fiscal menos rigorosa e uma reação contra a globalização sob a forma de tarifas mais elevadas (note-se que Biden não reverteu as tarifas impostas por Trump no seu mandato anterior).
O que é que isto significa para os mercados em 2025? Para além dos riscos políticos, o contexto económico permanece favorável. A inflação tem evoluído na direção certa e as taxas de juro estão a descer nos EUA e na Europa. Antecipamos uma aterragem suave para a economia, e a nossa expetativa é que o crescimento volte a acelerar ao longo de 2025.
Prevemos uma aterragem suave da economia em 2025.
Fonte: LSEG DataStream, Schroders Economics Group, a partir de 11 de novembro de 2024. O modelo de hiato do produto da Schroders avalia em que medida uma economia está a funcionar abaixo do seu pleno potencial, sem gerar pressões inflacionistas. Na fase de desaceleração, o hiato do produto é positivo e decrescente e, na fase de expansão, o hiato do produto é positivo e crescente, à medida que a economia reacelera.
Procurar oportunidades de retorno para além dos vencedores recentes.
Nas ações, o S&P500 parece caro, mas as avaliações fora das principais empresas e do mercado dos EUA parecem mais razoáveis. Os investidores em ações habituaram-se a que um pequeno número de grandes empresas impulsionasse os ganhos do mercado acionista; no entanto, este padrão já está a mudar.
Acreditamos que existe potencial para uma maior diversificação dos mercados nos EUA, especialmente tendo em conta o foco de Trump na desregulamentação e na redução dos impostos sobre as empresas.
As expectativas de consenso apontam para uma melhoria do crescimento dos lucros na maioria das regiões em 2025.
As previsões apresentadas não são garantidas.
Fonte: LSEG DataStream e Schroders Strategic Research Unit. Dados até 31 de outubro de 2024. Notas: O EPS do Japão é a soma de 4 trimestres até 30 de junho do ano civil seguinte, por exemplo, 2024 = 31/03/2024 - 31/03/2025. DM: mercados desenvolvidos, EM: mercados emergentes.
Fora dos EUA, o comércio será uma área importante a acompanhar caso Trump implemente integralmente as tarifas que anunciou durante a campanha. Na prática, tarifas tão abrangentes podem ser difíceis de transformar em lei, mas a incerteza encorajará as empresas norte-americanas a deslocalizarem a sua produção. Esta situação poderá impulsionar o crescimento dos EUA em detrimento dos seus vizinhos, mas poderá também levar a um aumento do estímulo monetário fora dos EUA para compensar este facto.
Assim, de forma geral, vemos potencial para retornos positivos das ações em 2025, mas os investidores poderão precisar de olhar além dos vencedores recentes.
Também é importante reconhecer que os riscos estão a aumentar à medida que as expectativas positivas são incorporadas nas avaliações do mercado. Em particular, se a taxa de rendibilidade das obrigações a 10 anos dos EUA oscilar entre 4,5% e 5%, isso poderá limitar a rendibilidade das ações (isto deve-se ao facto dos rendimentos mais elevados das obrigações poderem retirar dinheiro do mercado de ações, bem como aumentar os custos dos empréstimos para as empresas).
Como mencionado acima, continuamos a apostar numa aterragem suave, que é um resultado favorável, mas quando pensamos nos riscos associados a esse cenário, a nossa preocupação tende a ser que o ambiente de crescimento dos EUA possa ser “demasiado quente” em vez de “demasiado frio”. As restrições à imigração e as políticas destinadas a impulsionar o sector empresarial podem aumentar o risco de inflação interna, reduzindo a capacidade da Fed para implementar cortes nas taxas.
As obrigações oferecem rendimentos atrativos
Como referi anteriormente, acreditamos que estamos num ambiente muito diferente do regime deflacionário e de taxas zero da década de 2010. Consequentemente, as obrigações já não oferecem os mesmos benefícios de correlação negativa que na última década.
No entanto, a velha razão para possuir obrigações - gerar rendimentos - está de novo em cima da mesa e continuamos a defender a sua inclusão nas carteiras. Políticas fiscais e monetárias divergentes em todo o mundo também proporcionarão oportunidades cruzadas nos mercados obrigacionistas e cambiais. A solidez dos balanços das empresas sustenta o rendimento oferecido pelos mercados de crédito.
À medida que os investidores procuram diversificar os ativos, continuamos a preferir o ouro, uma vez que, tal como as obrigações, oferece uma proteção contra os riscos de recessão. É também uma boa opção em caso de aumento da estagflação e de acontecimentos geopolíticos.
A diversificação é a chave para a resiliência da carteira
Embora o cenário económico pareça geralmente favorável aos retornos, não podemos ignorar os inúmeros riscos que os mercados enfrentam. Estamos a lidar com disrupções numa escala sem precedentes, que se manifestam de várias formas.
Já mencionámos as potenciais crises decorrentes das tarifas aduaneiras e das guerras comerciais. Há também os conflitos em curso no Médio Oriente e na Ucrânia, onde os riscos associados a erros de cálculo políticos não podem ser ignorados.
O mecanismo de transmissão dos acontecimentos geopolíticos para os mercados passa frequentemente pelas commodities. Como classe de ativos, as commodities perderam popularidade devido às preocupações com o crescimento global, mas têm um papel importante a desempenhar na diversificação e na construção de carteiras resilientes. As commodities relacionadas com a energia são uma forma de o fazer, enquanto o ouro continua a ser o derradeiro ativo de refúgio por excelência.
Os mercados privados também podem contribuir para a resiliência das carteiras através da exposição a diferentes tipos de ativos que tendem a estar mais isolados dos acontecimentos geopolíticos do que as ações ou as obrigações cotadas. Os exemplos incluem os ativos imobiliários e de infraestruturas, que oferecem fluxos de caixa resilientes a longo prazo, ou ativos como os títulos ligados a seguros, em que as condições meteorológicas são o principal fator de risco.
De um modo geral, acreditamos que as condições são favoráveis a bons retornos em 2025, mas alguns desafios terão de ser ultrapassados. Uma abordagem diversificada, que abranja diferentes regiões e classes de ativos, pode ajudar as carteiras a serem mais resilientes, independentemente do que o próximo ano possa trazer.
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