Previsões para 2019: Ações globais
Procuramos empresas que invistam na mudança em 2019 e estamos cada vez mais cautelosos com aquelas que estão excessivamente endividadas.

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- No geral, os mercados estão a entrar numa nova fase na qual a inflação está a subir e os bancos centrais oferecem menos apoio aos mercados.
- Há muita complacência nos mercados bolsistas quanto aos riscos de taxas de juro mais altas e elevado endividamento das empresas.
- Acreditamos que algumas das melhores oportunidades de investimento se encontram onde existe uma significativa turbulência na indústria, como é o caso da transição para as energias renováveis.
Em 2018, o crescimento da economia global permaneceu de um modo geral estável, mas, em contraste com 2017, já não está tão sincronizado. Os EUA continuam a expandir-se fortemente, enquanto os dados da zona euro e da China apontam para um abrandamento. O Japão também não tem conseguido manter o ritmo dos EUA, enquanto o crescimento britânico permanece lento e qualquer melhoria na confiança empresarial permanece dependente do resultado do Brexit.
Simultaneamente, a política monetária global está a tornar-se mais restritiva, com os bancos centrais a afastarem-se do prolongado apoio aos mercados. Tem havido sinais claros desta tendência, mas, após quase uma década de taxas de juro excecionalmente baixas, há grande complacência nos mercados acionistas quanto aos riscos de taxas mais altas e elevado endividamento das empresas. De facto, esta é uma das “verdades incontornáveis no investimento" para a próxima década referidas pela Schroders.
Os melhores planos...
O aumento dos encargos com os empréstimos não é o único risco para as rentabilidades e para as avaliações. A mão-de-obra, a energia e outros custos empresariais estão a aumentar de forma generalizada. Simultaneamente, a tendência para o protecionismo está a criar menos eficiência na sequência dos processos necessários para criar produtos, também conhecida como cadeia de abastecimento. Uma era de baixos custos tem sido uma das principais caraterísticas do mais longo mercado em alta nos EUA1de sempre – mas começamos a ver claros sinais de pressões salariais e nos custos. O aumento salarial para 15$/hora na Amazon e a recente orientação da Caterpillar sobre o aumento de custos das matérias-primas parecem estar estreitamente associados aos efeitos da tarifas aduaneiras e do comércio e, nesse sentido, são marcos. Parece provável que a rentabilidade nos EUA, em particular, comece a voltar às médias de longo prazo em 2019/2020.
Trata-se de um ambiente invulgarmente difícil para traçar planos empresariais e esperamos mais surpresas nos proveitos durante o próximo ano. A agressiva posição comercial, mantida pelos EUA desde o início do ano, continua a ser uma ameaça significativa para o bom funcionamento económico e para o fluxo de bens sem atritos por todo o mundo. As empresas cuja cadeia de abastecimento depende fortemente da China podem ser confrontadas com tarifas aduaneiras de 25% nas exportações para os EUA em 2019. Podemos, igualmente, ver um comércio com menos barreiras do que antes. Estes são claramente dois ambientes de custos e de negócios muito diferentes e tornam o planeamento extremamente difícil para as empresas.
Em muitos casos, as cadeias de abastecimento não podem ser deslocadas rapidamente dado o tempo necessário para avaliar as instalações dos fornecedores ou construir fábricas em novos lugares. As empresas que investiram para evitar ou limitar a interrupção da cadeia de abastecimento deveriam ser compensadas pelo esforço. Tudo isto contribui para uma perspetiva de lucro mais incerta do que o habitual.
A correção do mercado no início do quarto trimestre indica, provavelmente, que os investidores já não são tão complacentes em relação às preocupações comerciais como têm sido. As avaliações dos títulos caíram para médias de longo prazo ou abaixo destas, conforme medido pelos rácios preço/lucro por ação (PER) gerais. No entanto, os PER não são a única medida de avaliação. Se os conflitos comerciais atuais ou uma recessão levarem os ganhos para um ciclo recessivo, os PER mais aliciantes de hoje de pouco servirão. Numa tal conjuntura, as empresas endividadas acima referidas poderão ser gravemente prejudicadas.
Em geral, estamos cautelosos em relação às empresas com elevados níveis de endividamento ou àquelas que não podem aumentar os preços para compensar os custos mais altos que enfrentam. Acreditamos que as telecomunicações são o melhor exemplo de tal setor nos dias que correm.
Disrupção e oportunidade
A identificação das empresas melhor preparadas para resistir - ou mesmo prosperar - à nova fase do ciclo económico e de negócios exigirá uma abordagem dinâmica e uma compreensão profunda das variáveis fundamentais da empresa.
Acreditamos que o atual período de mudança disruptiva em muitos setores apresenta oportunidades de investimento significativas. Privilegiamos muitas destas interessantes empresas disruptivas e achamos que a consistência do mercado acionista em incorporar as verdadeiras perspetivas de crescimento de longo prazo das empresas com crescimento de elevada qualidade, continua a fazer com que muitas dessas ações sejam atrativas.
Continua a ser fundamental para as empresas e para os investidores garantir que estão do lado certo da disrupção. Concentramo-nos em identificar as empresas que estão dispostas a investir a longo prazo, que estão preparadas para a mudança e que podem criar crescimento sustentável a partir dos seus modelos de negócio.
Aceitar a viragem na procura de fontes de energia fósseis para renováveis. Os preços da energia de combustíveis fósseis têm - até uma correção recente - estado a subir, uma vez que o investimento da indústria em 2015-2017 foi menor em consequência dos preços mais baixos da energia (e de outras matérias-primas) no início da década. O aumento dos preços dos combustíveis fósseis e a melhoria na economia das energias renováveis significam que as tecnologias das energias alternativas são cada vez mais competitivas. Esperamos que a procura aumente, tanto a nível das energias renováveis como dos veículos elétricos. Continuamos a procurar boas empresas que possam participar neste crescimento de longo prazo, evitando as partes mais competitivas destas indústrias e empresas que não oferecem um serviço diferenciado.
Também privilegiamos algumas ações de bens de consumo e de tecnológicas. A conjuntura competitiva no consumo de conteúdos e multimédia está a mudar rapidamente, tornando-se uma fonte rica em oportunidades, particularmente nas redes sociais, música e jogos. Nalguns casos, as avaliações nessas áreas parecem altas, mas achamos que o mercado subestima a capacidade de várias empresas de expandir as suas atividades empresariais e/ou converter os conteúdos em lucro para suportar uma trajetória de crescimento de longo prazo.
As opiniões acima expressas incluem previsões que não devem servir de base a decisões, não são garantidas e se referem apenas à data de publicação. As nossas previsões baseiam-se nos nossos próprios pressupostos, que podem mudar. As previsões e pressupostos podem ser afetados por fatores económicos externos ou outros, não devendo ser interpretados como aconselhamento ou recomendação de compra e/ou venda.
O valor dos investimentos e o rendimento proveniente destes pode aumentar ou diminuir e os investidores podem não conseguir recuperar a quantia originalmente investida.
1. Um mercado em alta é definido, num sentido lato, como aquele que sobe ao longo do tempo sem cair mais de 20% do respetivo pico durante o período.↩
2. Um rácio utilizado para avaliar as ações de uma empresa. É calculado dividindo o preço atual de mercado pelo lucro por ação.
Informação Importante
Os pontos de vista e as opiniões descritos são da Alex Tedder, Diretor e CIO para as Ações Globais e dos EUA, e podem não representar necessariamente pontos de vista expressos ou reflectidos noutras comunicações, estratégias ou fundos da Schroders.
Este documento destina-se apenas a fins informativos. O material não deve ser interpretado como uma oferta ou solicitação à compra ou venda de qualquer instrumento financeiro ou título ou para adotar qualquer estratégia de investimento. A informação facultada não pretende ser consultoria de investimento, recomendação de investimento ou análise sobre investimentos e não tem em conta as circunstâncias específicas de qualquer destinatário. O material não se destina a fornecer nem deverá servir de base a aconselhamento contabilístico, jurídico ou fiscal. As informações contidas neste documento são consideradas fiáveis, mas a Schroders não garante a integralidade ou exatidão das mesmas. Não se aceita qualquer responsabilidade por erros de facto ou opinião. Os pontos de vista e informações contidos neste documento não devem servir de base a decisões de investimento individuais e/ou estratégicas.
O desempenho anterior não é um indicador confiável dos resultados futuros. O valor das ações e o seu rendimento podem cair ou crescer e os investidores podem não recuperar o montante originalmente investido.
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Publicado por Schroder Investment Management (Europe) S.A., 5, rue Höhenhof, L-1736 Senningerberg, Luxemburgo. Número de Registo B 37.799.
As previsões indicadas no documento são o resultado de modelação estatística, baseada numa série de pressupostos. As previsões estão sujeitas a um elevado nível de incerteza relativamente a fatores de mercado e económicos futuros que podem afetar o desempenho futuro real. As previsões são fornecidas para fins informativos à data de hoje. Os nossos pressupostos podem mudar materialmente com alterações nos pressupostos subjacentes que possam ocorrer, entre outras coisas, uma vez que as condições económicas e de mercado se alteram. Não assumimos qualquer obrigação de lhe fornecer atualizações ou alterações a estes dados, visto que os pressupostos, as condições económicas e de mercado, os modelos ou outros fatores se alteram.
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