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Estudo de Investidores Globais

O objetivo do investimento sustentável é obter lucros mais elevados, afirma a maioria dos investidores

Um estudo global que abrange hábitos de consumo e ações de investimento sustentáveis constatou que a maioria dos investidores acredita que o investimento sustentável pode ajudá-los a obter melhores retornos.

15/09/2018

David Brett

David Brett

Investment Writer

A maioria dos investidores acredita que a principal razão para investir de forma sustentável é obter lucros maiores, segundo um importante estudo global.

Os resultados sugerem que os investidores acreditam cada vez mais que apoiando investimentos sustentáveis, aquelas empresas mais focadas na gestão de questões ambientais, sociais e de governança, terão melhores resultados, em vez de ser apenas uma escolha de consciência.

O Estudo de Investidores Globais 2018 (GIS) da Schroders, que inquiriu mais de 22 mil investidores em 30 países, também abrangeu definições de investimento sustentável e destacou as barreiras que impedem as pessoas de investir mais em investimentos sustentáveis.

Investidores experientes

O crescente interesse em investimentos sustentáveis foi particularmente acentuado entre os investidores experientes. O estudo constatou que as pessoas que sentem ter níveis mais elevados de conhecimentos sobre investimento estão a investir uma proporção maior da sua carteira total em investimentos sustentáveis e esperam retornos mais elevados na totalidade da sua carteira.

As pessoas que se consideram investidores especialistas/avançados disseram que estavam a investir uma média de 42% da sua carteira em investimentos sustentáveis e esperavam um retorno anual de toda a carteira de investimentos de 10,9%, em média. Isto comparado com 32% e 8,8%, respetivamente, para as pessoas que se consideram investidores principiantes.

O estudo também revelou padrões geracionais. Os Millennials disseram que estavam a investir uma proporção maior de toda a sua carteira em investimentos sustentáveis do que as gerações mais velhas. Pessoas com idade entre os 18 e os 36 anos disseram que investiram uma média de 41% das suas carteiras em investimentos sustentáveis, em comparação com os 35% dos que têm entre 37 e 54 anos de idade. A proporção para aqueles com 55 anos ou mais, foi de 34%.

O que é o investimento sustentável?

O investimento sustentável registou um enorme aumento de interesse na última década, mas as definições nesta área podem ser confusas. Perguntámos aos investidores qual a frase que melhor descreve o "investimento sustentável" e foram-nos reveladas algumas visões sofisticadas.

Mais de metade (52%) afirmou que se trata de um investimento em empresas que têm probabilidade de ser mais rentáveis porque são proativas na sua preparação para as alterações ambientais e sociais.

Menos de metade (47%) afirmou tratar-se de investir em empresas que eles acham que são as melhores na sua classe quando se trata de questões ambientais ou sociais ou o modo como a empresa é administrada.

Um quarto (25%) disse que se tratava de evitar as chamadas "sin stocks", de empresas envolvidas no fabrico de álcool, tabaco ou armas. Apenas 9% têm uma ideia sobre o que é o investimento sustentável.

Quem investe mais na sustentabilidade?

A nível nacional, as pessoas nos EUA (47%) disseram que investiram uma proporção maior de toda a sua carteira em investimentos sustentáveis do que as pessoas de qualquer outro país.

Na Europa, os suecos (45%) disseram que investiram mais, enquanto a China (45%), a África do Sul (45%) e a Indonésia (45%) foram os que investiram mais entre os mercados emergentes. O Japão (24%) foi o que investiu menos.

As economias de mercados emergentes (incluindo o Brasil e a Índia), onde a agitação social e os desafios ambientais são particularmente sérios, tendem a investir mais em investimentos sustentáveis. Estas dificuldades podem ter ajudado a chamar a atenção para tais questões. [Hiperligação para o artigo 1]

Os países europeus e os países asiáticos como a Coreia do Sul, Hong Kong e Japão, que são considerados mercados financeiros mais desenvolvidos, foram os que investiram menos em investimentos sustentáveis.

Então, o que está a impedir o investimento sustentável de crescer rapidamente?

O estudo também constatou que, globalmente, 64% das pessoas canalizou mais capital para investimentos sustentáveis nos últimos cinco anos. Apesar disso, as barreiras para o investimento de forma sustentável permanecem. Os investidores citam a falta de informação e um número limitado de fundos sustentáveis como uma das principais razões.

Quando questionados sobre se algo os impede de investir de forma sustentável, as três principais respostas foram:

Jessica Ground, Diretora de Sustentabilidade na Schroders, afirmou:

"Sabemos há muito tempo que os investidores estão interessados em fundos de investimento sustentáveis e que o interesse está a crescer, mas o montante de capital para eles canalizado foi relativamente baixo. Este estudo explica de alguma forma por que razão isso acontece.

"Parece claro que todos os envolvidos na indústria de investimentos precisarão de trabalhar em conjunto para melhorar a disponibilidade, a transparência e o aconselhamento sobre estes fundos.

“É gratificante saber que os investidores têm uma perceção elaborada sobre investimentos sustentáveis. Eles percebem que administrar uma empresa de forma sustentável, por definição, oferece mais oportunidades de sucesso nas próximas décadas. Essencialmente, a maioria dos investidores acredita agora que o investimento sustentável pode ajudá-los a obter bons retornos."

Informação importante:

A Schroders encarregou a Research Plus Ltd de realizar, entre 20 de março e 23 de abril de 2018, um estudo independente online a 22 338 investidores em 30 países espalhados pelo mundo, incluindo Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Itália, Japão, Países Baixos, Espanha, Reino Unido e EUA. Este estudo define "investidores" como aqueles que investirão pelo menos 10.000 euros (ou o equivalente) nos próximos 12 meses e que fizeram alterações nos seus investimentos nos últimos dez anos. Estas pessoas representam as opiniões de investidores em cada país incluído no estudo.